TEATRO

As Muitas Faces de Valdi Coutinho

Documentário revê trajetória da carreira diversificada do jornalista, ator, dramaturgo, pintor, carnavalesco e otras cositas mas.

Ernesto Barros
Ernesto Barros
Publicado em 15/01/2020 às 14:23
Divulgação
Documentário revê trajetória da carreira diversificada do jornalista, ator, dramaturgo, pintor, carnavalesco e otras cositas mas. - FOTO: Divulgação
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Jornalista esportivo, crítico de teatro, dramaturgo, ator, escritor, professor, pintor, carnavalesco e religioso. Foram tantas as ocupações de Valdi Coutinho, 75 anos, que não teve jeito se não chamá-lo de múltiplo. E Múltiplo Valdir é o nome do documentário que será exibido nesta quarta (16/1), às 19h, no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro, dentro programação do Janeiro de Grandes Espetáculos.

Formatado originalmente como um programa para a TV, o filme estreia com a presença de Valdi. Vítima de três AVCs, ele se locomove com dificuldade, mas a mente e a fala estão em perfeita ordem. “Atualmente, ele está falando melhor do que quando gravamos as entrevistas para o documentário”, aponta Rafael Coelho, que dirigiu, roteirizou e montou o documentário. A produção é de Cláudia Moraes, sócia de Rafael e de Amaro Filho na Página 21, a partir de um projeto aprovado pelo Funcultura.

Envolvido com o teatro desde criança, atuando em peças infantis encenada no seminário, Valdi escapou de ser padre. A recriação de uma cena de sua infância no palco, quando foi chamado de lindo pela plateia feminina, abre caminho para ele contar memórias íntimas. Conta que duas tias queriam a todo custo que ele seguisse a carreira eclesiástica, mas a falta de vocação fez com que trilhasse outros caminhos. Ao assumir a homossexualidade, por volta dos 20 anos, deixou para trás muito anos vividos na clausura dos seminários. “O seminário foi bom pra mim porque me reprimiu muito. E isso me fez um camarada autêntico, de convicção, de lutar pelas coisas que eu acreditava”, revela.

JORNALISMO

Se a igreja perdeu um sacerdote, o mundo ganhou, claro, um homem com imensa vontade de viver e criar, o múltiplo Valdir. Com um memória excelente, ele lembra dos anos iniciais dedicado ao teatro, no TAP – Teatro de Amadores de Pernambuco e quanto tentou arrumar um emprego no Jornal do Commercio. “Quando cheguei lá, um jornalista me deu uma pauta para eu localizar Nelson Ferreira e perguntar se ele iria lançar alguma música pro Carnaval. Eu levei uma semana para localizá-lo. E quando voltei o jornalista me disse que era para entregar a matéria naquele dia”, recorda às gargalhadas.

O desacerto inicial, no entanto, foi vencido ao tentar a sorte no Diario de Pernambuco, onde trabalhou durante cerca de 30 anos, com repórter esportivo, crítico e colunista de teatro. A partir dessa vivência diária no jornalismo, Valdi foi se multiplicando como dramaturgo, escritor, pintor e carnavalesco (ele assumiu o Baile dos Artistas depois de dois anos de assessoria de imprensa).
Além de Valdir contar sua própria história, o documentário reúne testemunhos de colegas de trabalho, discípulos e admiradores. No jornalismo esportivo, ele cobriu quatro Copas do Mundo e uma Olimpíada, como lembra o companheiro de redação Claudemir Gomes.

TEATRO

Mas, sem dúvida, é no teatro que ele deixou uma marca forte, principalmente em virtude da divulgação de peças e de grupos na coluna Cena Aberta, como também no cursos e coletivos que criou, como o TEO – Teatro Experimental de Olinda.
Companheiros de jornada e alunos, entre eles o diretor José Manoel, o ator e jornalista Manoel Constantino, a atriz Anamaria Sobral, o performer Júlio Cesar e o pesquisador e historiador Leidson Ferraz, atestam a importância de Valdi durante cerca de 30 anos de cena teatral pernambucana.

Para Rafael, que já realizou várias cinebiografias – entre elas a do cineasta Simião Martiniano –, fazer Múltiplo Valdi foi um das experiências mais ricas. “Além da memória, ele tem um acervo pessoal muito grande, repleto de fotografias e recortes de jornal”, afirma o cineasta.

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