Série 'Nosso Ofício' faz refletir sobre profissões raras

Obra dirigida pela pernambucana Tuca Siqueira estreia nesta segunda-feira (24)

Foto: Bento Marzo/Divulgação
Obra dirigida pela pernambucana Tuca Siqueira estreia nesta segunda-feira (24) - FOTO: Foto: Bento Marzo/Divulgação

Ofício: termo que define a atividade de trabalho que requer técnica e habilidade específicas, peculiares. Tem que ter o dom, entender do traçado, e dedicar-se a ele com prazer. Este é um dos focos de Nosso Ofício, que o Canal Futura estreia nesta segunda-feira (24), às 23h. Realizada em parceria pela Rima Cultural e Ateliê Produções, a série dirigida pela cineasta pernambucana Tuca Siqueira conta com 13 episódios que serão exibidos semanalmente sobre profissões cada vez mais raras na rotina atual das cidades brasileiras.

Com episódios gravados em sete Estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará), Nosso Ofício tem como característica relacionar as treze profissões destacadas com sentimentos, ideias e conceitos como fé, esperança, paciência e identidade, entre outros.

“Temos diversidade de sotaque e de cenário, o que influencia no visual e no conteúdo da produção. Enquanto diretora, foi uma experiência muito intensa e marcante; uma das mais marcantes, em 15 anos de carreira, por essa quantidade, intensidade e tempo de filmagem envolvido. São 13 personagens, três dias com cada um deles, o que faz com que a gente se aproxime muito rapidamente deles, vive intensamente esses três dias em todos os sentidos. Não há como não estabelecer afeto com essas pessoas, porque tratamos de ofícios que estão se tornando muito raros”, salienta Tuca Siqueira.

ESTREIA

No primeiro episódio de Nosso Ofício, conhecemos a trajetória de Guthenberg Pereira, um carioca que dedica a vida a afinar pianos. É ele o protagonista do capítulo batizado de O Afinador de Pianos e o Diálogo, que conta com a participação da atriz Bel Kutner, da dramaturga e roteirista Renata Mizrahi, do artista visual e sonoro Marcelo Kraiser, do escritor Edyr Augusto Proença, e do arranjador e pianista João Carlos Coutinho.

Atuando nos bastidores da cena, este profissional tem um papel fundamental para o sucesso do concerto ou do show. No caso de Pereira, esta missão é ainda maior, pelo fato de ele ter desenvolvido uma técnica única na afinação do instrumento, referendada pelo músico Egberto Gismonti e o cantor Ney Matogrosso, dois artistas que dão depoimentos no episódio.

“Imagina que o pianista sai de casa e não leva o instrumento dele. Ele tem que se adaptar ao instrumento dos teatros, dos locais onde vai tocar. O Egberto (Gismonti) sempre falava que os pianos não estavam no mesmo peso do piano dele. Então criei uma técnica que altera o peso do piano, sem danificar o instrumento do teatro”, explica Pereira, sobre a peculiaridade do seu ofício.

A roteirista Renata Mizrahi sintetiza a força desse diálogo travado entre afinador e artista, tendo o piano como instrumento. “A arte é a maior forma de diálogo. É dizer aquilo de maneiras diferentes e conseguir chegar no outro, conseguir falar com o outro”, comenta ela.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias