Especial

Os orixás ganham vida na obra de Jorge Amado

Escritor baiano faz das divindades da natureza personagens de suas obras

Mateus Araújo
Mateus Araújo
Publicado em 06/08/2012 às 6:20
Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
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Foi o próprio Ogum que escolheu a si mesmo como padrinho do filho do negro Massu, em O compadre de Ogum. Enquanto isso, em O sumiço da santa, Santa Bárbara – também aqui a Rainha das Tempestades, a deusa Iansã (Jorge jamais se preocupou em diferenciá-las, porque, afinal, são a mesma divindade, na sua obra) desaparece, deixando polícia, autoridades e imprensa soteropolitanas em polvorosa.

O ritual a Exu, no início das festas nos terreiros, para afastar o orixá traquino das cerimônias. O som marcante do agogô e dos atabaques, e o cheiro e sabores da comida de santo. Jorge Amado sabia descrever e dar cor a tudo que viu e viveu nos axé baianos, ao mesmo tempo que soltava a imaginação e humanizava orixás.

Veja abaixo fotos de alguns dos orixás presentes nas obras de Jorge Amado, representados por integrantes do Balé Popular do Recife.

Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
Orixá Iansã, a rainha dos ventos e das tempestades. No sincretismo, é representada por Santa Bárbara - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
Xangô, orixá da justiça. No sincretismo, é representado por São João e São Jerônimo - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
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Xangô é ligado ao fogo, Orixá de quem Jorge Amado era obá. - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
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Iemanjá, rainha das águas. No sincretismo, representa Nossa Senhora da Conceição e dos Navegantes - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
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Iemanjá é a grande mãe dos orixás, e comanda os mares. É muito vaidosa - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
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Oxalá, a divindade da criação. No sincretismo, representa a figura de Jesus, Deus. - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
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Oxalá se divide entre outras duas divindades: Oxaguiã (Menino Jesus) e Oxalutã (quando velho). - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
Oxóssi é o deus da caça e da fartura. No sincretismo, está relacionado a São Jorge e São Sebastião - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem
O escritor Jorge Amado era filho de Oxóssi. - Foto: Priscilla Buhr/JC Imagem

 

Aos olhos do Jorge, o Brasil e África uniram-se numa só cultura. No sincretismo amadiano, catolicismo e candomblé são inseparáveis. “A obra de Jorge Amado é universal, à medida que ajuda a contruir uma identidade do Brasil, erguida na origem. Primeiro veio Amado, depois os músicos, os teatrólogos, cineastas. Todos vão ajudar a criar essa identidade.”

No dia da sua morte, há exatos 11 anos, Jorge Amado teve um velório calmo, sem multidões de gente e com poucos artistas. A cerimônia talvez nem sequer fosse religiosa, se não fossem os integrantes da Irmandade da Boa Morte, que diante do caixão entoaram cânticos afro, em homenagem ao escritor. Jorge consagrou o Brasil, e o mundo reconheceu Jorge. Ao ateu, filho de Oxóssi, ogã e obá de Xangô, axé!

Leia a matéria completa no Caderno C desta segunda (6).

 

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