Especial

Professor Reginaldo Prandi fala da religião na obra de Jorge Amado

Pesquisador e professor da USP explica a importância e a presença do candomblé na produção e na vida do escritor baiano

Mateus Araújo
Mateus Araújo
Publicado em 06/08/2012 às 6:20
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Leia abaixo a entrevista feita com o sociólogo e professor da Universidade de São Paulo, Reginaldo Prandi, sobre a influência do candomblé nas obras de Jorge Amado.

JORNAL DO COMMERCIO - Qual a importância do candomblé para a obra de Amado?
REGINALDO PRANDI -
O candomblé está presente na vida de Jorge Amado desde sua juventude. Jorge tinha uma grande preocupação pela cultura negra baiana. Isso se refletia não só na sua obra, como também na atuação política. Por exemplo, no segundo Congresso Afro-brasileiro, em 1936, em Salvador (o primeiro foi no Recife, em 1934, organizado por Gilberto Freyre), Jorge teve participação importante, e coube a ele fazer uma saudação às autoridades religiosas. Ele não teve só um compormisso literário com o povo baiano, mas ético também.

JC - Como os orixás surgem na obra de Jorge Amado?
REGINALDO -
Os orixás vão estar presentes nas obras dele como personagens, muitas vezes. Isso sempre nas obras urbanas. Ele humaniza essas divindades. Ele tem uma visão muito africana ds orixás - são muito sensuais, humano. Tudo faz parte de um contexto que ele cria nas obras. Ele sempre fala de pobres, negros, santos, padre, mãe de santo, pais de santo. Tudo aquilo que compoem o cenário humano.

JC - Como essa união entre os santos e os orixás era vista pela igreja católica?
REGINALDO -
A igreja sempre fez de conta que não enxergava nada; sempre fez vista grossa. Era uma forma de ela manter na igreja os seguidores. A bahia sempre fez vista grossa sobre isso, sobre o fato de as mesmas pessoas que frenquetam a igreja frequentarem os terreiros. Quem perseguia era a imprensa e a polícia.

JC - A obra de Amado é universal e atemporal?
REGINALDO -
Sim. A obra de jorge amado é universal, na medida que ajuda a contruir uma identidade do Brasil, erguida nas origens culturais. Isso foi muito importante em 1950 e 1960. Primeiro veio Jorge Amado, depois os músicos, os teatrólogos e cineastas. Se antropologia não existeisse e não fosse feita na Bahia, você conheceria a Bahia através de Jorge Amado.

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