Ativismo

Abril pro Rock promove debate no lançamento de livro sobre a Pussy Riot

'Um Guia Punk para Pussy Riot' será lançado nesta quinta-feira (18), com uma roda diálogo composta por nomes como Mônica Benício e a tradutora Jamille Pinheiro Dias

João Rêgo
João Rêgo
Publicado em 18/04/2019 às 12:57
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'Um Guia Punk para Pussy Riot' será lançado nesta quinta-feira (18), com uma roda diálogo composta por nomes como Mônica Benício e a tradutora Jamille Pinheiro Dias - FOTO: Foto: Divulgação
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A revolução é um estado de ser. Não há melhor definição para sintetizar a trajetória de Nadya Tolokonnikova, fundadora do coletivo artístico russo e banda punk Pussy Riot – uma das atrações do festival Abril pro Rock amanhã. Sua experiência encarcerada em um campo de trabalho forçado, suas leituras e convicções estão relatadas no livro Um Guia Pussy Riot para o Ativismo, que tem lançamento hoje, no Cais do Sertão, às 15h, com entrada gratuita.

O evento é promovido pelo próprio APR em parceria com o coletivo Mete a Colher, e contará ainda com uma roda de diálogo sobre feminismo e ativismo político em tempos de crise. Uma espécie de extensão do direcionamento engajado da curadoria deste ano que, entre outras ações, promove amanhã um line-up só com artistas mulheres.

Na roda, os participantes convidados representarão, não vertentes, mas diversos caminhos da luta das mulheres atualmente. Seja dentro da música, política, literatura ou religião. Estarão presentes a viúva da deputada federal Marielle Franco, a arquiteta Mônica Benício; a jornalista e produtora cultural Lenne Ferreira, Renata Albertim, cofundadora do Mete a Colher e Mãe Beth de Oxum, além da pesquisadora e tradutora do livro Jamille Pinheiro Dias. Ao final, a poetisa Isabelly Moreira e a MC Lillo ainda farão uma performance para o público.

A OBRA

Um Guia Pussy Riot para o Ativismo é um mergulho na militância política de Nadya, de forma didática e conceitual. O livro se estrutura ao redor de dez regras propostas por ela para a revolução, que vão do concreto ao abstrato.
“É um convite à expansão da imaginação política. Vejo a proposta que ela traz para a desobediência civil e o questionamento do status quo como um antídoto contra a sensação de impotência e marasmo que às vezes nos acomete em tempos de recrudescimento dos fundamentalismos”, comenta Jamille, sobre a contextualização da obra em relação à realidade brasileira.
Em 2012, Nadya foi presa por realizar uma “reza punk” dentro de uma catedral em Moscou contra o atual presidente da Rússia, Vladmir Putin. Como punição, passou quase dois anos encarcerada em um campo de trabalho forçado. Os textos carregam muito dessa sua experiência, em uma espécie de Recordações da Casa dos Mortos, do seu lendário conterrâneo Dostoiévski.

No entanto, onde há pessimismo existencialista nos relatos do autor russo, Nadya, segundo Jamille, busca mesclar a ação direta com alegria. “É uma combinação de resistência e espontaneidade, que fica bem visível nos protestos artísticos que ela foi desenvolvendo ao longo da vida”.

Feminismo, arte, sistema judicial, sistema penitenciário, antipsiquiatria, resistência. O livro é um prato cheio para quem se interessa por qualquer um desses temas, principalmente suas relações com o ativismo. E não há ninguém melhor para falar sobre isso do que a russa.

SHOWS

O Abril pro Rock realiza neste fim de semana seus shows mais aguardados, nos dois últimos dias de festival desta edição.
Amanhã, sobem ao palco do Baile Perfumado apenas artistas mulheres. O hip-hop ganhará espaço nos versos das garotas do Sinta a Liga Crew, Arrete e 808 Crew, que contarão com a participação especial da DJ Karla Gnom. As guitarras terão protagonismo nos shows da banda Demônia, e da atração principal da noite, Pussy Riot. O line-up ainda conta com a multi-artista Letrux, e Côco de Umbigada.

No sábado, o festival volta às suas raízes. Serão 10 bandas de metal e suas variações. Entre elas, Ratos de Porão, The Mist e a norte-americana Nuclear Assault.

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