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Teatro Agridoce estreia 'Mar Fechado' no Hermilo Borba Filho

Segundo trabalho do grupo pernambucano é apresentado dias 23 e 25 de agosto

Márcio Bastos
Márcio Bastos
Publicado em 21/08/2019 às 9:41
Jessica Maia e Carol Santino/Divulgação
Segundo trabalho do grupo pernambucano é apresentado dias 23 e 25 de agosto - FOTO: Jessica Maia e Carol Santino/Divulgação
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O grupo pernambucano Teatro Agridoce estreia seu segundo espetáculo, Mar Fechado, dia 23 de agosto, às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho, com nova sessão no dia 25, às 19h. A peça acompanha Janaína (Sophia William) e Caetano (Nilo Pedrosa), dois indivíduos que se encontram em encruzilhadas emocionais, perdidos diante da falta de acolhimento e afeto. Quando suas trajetórias se tocam, através da devoção comum a religiões de matrizes africanas, eles desenvolvem uma amizade que pode ajudá-los a encarar as incertezas da vida.

“A peça aborda temas que já vinham sendo discutidos dentro do grupo, como as questões familiares, de raça e sexualidade. O conceito de relações líquidas, de Zygmunt Bauman, nos interessa bastante e permeia a peça a partir dos encontros e desencontros desses personagens”, explica Aurora Jamelo, que assina a direção junto a Flávio Moraes.

O texto de Mar Fechado é a primeira dramaturgia de Estevão Caminha e agrega elementos de outros escritos do autor, além de vivências dos integrantes do coletivo.

“Estevão tinha textos sobre uma personagem feminina, que se tornou Janaína, e textos sobre esse homem, que se transformou em Caetano. Eram obras separadas, que se encontram na peça. Caetano é um cara meio perdido, que vive um vazio existencial porque foi abandonado pela família pelo fato de ser gay. Ele busca preencher isso de várias formas que só o deixam mais vazio. Esses dois personagens se encontram justamente nesse sentimento de não pertencimento e a dramaturgia se estrutura com diálogos entre eles e também com monólogos”, ressalta Nilo.

DIÁLOGOS

Assim como o primeiro trabalho do grupo, Trans(passar), que estreou em março deste ano, Mar Fechado surgiu da vontade dos artistas – que além de Aurora, Sophia, Flávio e Nilo é formado também por Igor Cavalcanti Moura, que assina a produção da peça – de levar aos palcos trabalhos que refletissem suas inquietações artísticas e pessoais. “Não queríamos mais nos encaixar nos trabalhos dos outros porque, de alguma maneira, sempre éramos chamados para o mesmos tipos de papéis. Nossa pesquisa está muito firmada no teatro e na dança, mas com interesse em dialogar com outras linguagens”, enfatiza Nilo.

Aurora reforça que esse contato com outras linguagens artísticas já está em execução. A primeira mostra desse processo pode ser conferida hoje no Instagram do grupo (@teatroagridoce), onde será disponibilizado um vídeo feito para a peça com produção do coletivo experimental Menino Exu.

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