Patrimônio

Lia de Itamaracá recebe título Doutor Honoris Causa pela UFPE

Em cerimônia no Teatro Guararapes, a cirandeira Lia de Itamaracá, 75, recebe o título concedido pela Universidade Federal de Pernambuco

JC Online
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Publicado em 27/08/2019 às 11:52
Foto: Marcia Paraíso/TV Brasil
A cirandeira Lia de Itamaracá. - FOTO: Foto: Marcia Paraíso/TV Brasil
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Na manhã desta terça-feira (27), a cirandeira Lia de Itamaracá, 75, recebeu o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal de Pernambuco, em cerimônia no Teatro Guararapes, Centro de Convenções, iniciada às 10h. A concessão foi no último dia 9, em reunião do Conselho Universitário, na Reitoria da UFPE.

Filha de um casal de agricultores, Patrimônio Vivo de Pernambuco e considerada a "Rainha da Ciranda" por levar este ritmo mundo afora. De acordo com o portal da Universidade, o título de Doutor Honoris Causa é uma honraria destinada a pessoas que tenham contribuído para o progresso da Universidade, da Região ou do País, ou pela sua atuação em favor das ciências, das letras, das artes ou da cultura.

Trajetória

Patrimônio Vivo da cultura pernambucana, Maria Madalena Correa do Nascimento ficou conhecida no início dos anos 70, quando a ciranda virou a dança da moça, e passou a ser praticada pela classe média alta no Pátio de São Pedro e por gente jovem na Praia do Janga ou de Itamaracá. Poderia ter antecipado o reconhecimento quando conheceu a cantora Teca Calazans nos anos 1960. Teca integrava um grupo que fazia MPB engajada e lançou, num compacto da Rozenblit/Mocambo, um pot-pourri de cirandas aprendidas com Lia de Itamaracá. Mas a ciranda esperaria mais um pouco para atrair o pernambucano.

O modismo da ciranda levou a gravadora Tapecar a promover a estreia de Lia com o LP A Rainha da Ciranda (1977): “Não ganhei dinheiro nenhum com aquele disco. Me deram só 25 LPs”, revela Lia de Itamaracá, que tem mais dois discos gravados, Eu Sou Lia (Rob Digital) e Ciranda de Ritmos (2008). No final da década de 70, a ciranda deu vez à disco music como dança da vez, e Lia Amargou um ostracismo, que só terminaria quando eclodiu o que foi rotulado de manguebeat, tocando e revalorizando a cultura popular, trazendo os artistas do povo para os palcos de festivais feito o Abril pro Rock.

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