INVESTIMENTO

Setor de moda plus size fatura R$ 5 bi ao ano

Dados do IBGE apontam que cerca de 60% da população brasileira está acima do peso, mas apenas 18% das lojas oferecem opções em tamanhos grandes

Talita Barbosa
Talita Barbosa
Publicado em 16/04/2017 às 10:04
Foto: Acervo
Dados do IBGE apontam que cerca de 60% da população brasileira está acima do peso, mas apenas 18% das lojas oferecem opções em tamanhos grandes - FOTO: Foto: Acervo
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Demanda crescente, pouca oferta e um público que não quer mais vestir apenas um produto que atenda ao seu manequim impulsionaram um segmento que hoje fatura cerca de R$ 5 bilhões por ano. Estamos falando do mercado plus size, um nicho que pode gerar muitos negócios: cresce 6% ao ano, segundo o Sebrae, mas tem potencial para ser ainda maior.

Dados do IBGE apontam que cerca de 60% da população brasileira está acima do peso, mas apenas 18% das lojas oferecem opções em tamanhos grandes e, dessas, só 3,5% são especializadas na moda acima do 42. Atuar nesse segmento exige uma compreensão sobre as necessidades e anseios desse público. É que sempre existiu um mercado voltado à fabricação de roupas em tamanhos maiores, mas nem tudo o que é tamanho grande corresponde ao setor.

“É preciso levar em consideração nossa diversidade de corpos e estilos. Há uns dez anos só era possível vestir peças bonitas se a gente mandasse fazer, as opções disponíveis eram horrorosas. Já crescemos muito, de nada, para algo. O caminho está certo, mas ainda falta muito para o mercado conseguir se estabilizar”, relata a biomédica e modelo plus size, Mariana Donato.

O investimento nessa área requer o desenvolvimento e comercialização de uma coleção específica, pensada e desenvolvida para esse público consumidor. Antes, as peças feitas em tamanhos maiores eram pensadas para serem funcionais. Agora, as roupas seguem tendências de modelagem, estampas, pensadas para consumidores que não querem apenas uma vestimenta que atenda ao seu manequim, mas, sobretudo, que ressalte seu estilo e beleza.

Entretanto, o caminho ainda é longo. Um levantamento feito pelo Sebrae revelou que 86% das pessoas que usam GG se dizem insatisfeitas com as opções de roupas para manequins grandes. Entre os entrevistados, 70% avaliam que os produtos são básicos e apenas 16% acham que eles despertam desejo de compra.

Uma pesquisa do Instituto de Marketing Industrial (IEMI) identificou cerca de 490 indústrias de confecção, no Brasil, que desenvolvem coleções específicas para esse setor. Isso equivale a apenas 2,5% do total dos estabelecimentos em atividade no mercado. De acordo com o IEMI, de 2013 a 2015, o segmento avançou 7,9% em volumes de peças e quase 13% de receitas nominais.

Expectativas

Atender as expectativas, oferecendo satisfação e não apenas roupas acima do 42, foi a estratégia adotada pela empresária Viviane Galvão para dar uma guinada em seu negócio. O faturamento da loja que ela criou há três anos aumentou em 30% depois que a empreendedora decidiu apostar no segmento plus size. O sucesso foi tanto que agora ela já planeja abrir uma filial.

“Eu vendia roupas normais e via que algumas mulheres reclamavam quando eu não tinha números maiores em modelos mais atraentes. Observei isso e, um dia, trouxe uma dúzia de peças para testar. Vendi todas no prazo de uma hora. Assim, cresci dentro da crise, vendendo produto aliado à satisfação”, conta Viviane.

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