DESASTRE AMBIENTAL

Petrobras reafirma que óleo em praias não veio de ações da empresa

Nesta segunda, a empresa coletou 280 toneladas de resíduos oleosos

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 21/10/2019 às 18:18
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Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
Nesta segunda, a empresa coletou 280 toneladas de resíduos oleosos - FOTO: Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
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A Petrobras informou nesta segunda-feira (21) que coletou 280 toneladas de resíduos oleosos (mistura de óleo e areia) desde o dia 12 de setembro, quando iniciou as atividades de apoio permanente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para limpeza das praias do Nordeste atingidas por óleo ainda de origem desconhecida.

Em nota, a companhia reforça seu compromisso com a proteção do meio ambiente e reafirma que o óleo nas praias do Nordeste não tem origem nas operações da companhia. A Petrobras diz, na nota, que atua na limpeza das áreas atingidas pelos resíduos por "solicitação e coordenação do Ibama, órgão responsável pela estratégia de contenção do óleo”.

Mobilizações da empresa

A empresa mobilizou duas embarcações de apoio para atuar nas regiões costeiras do Nordeste. Os barcos, que começaram a operar neste fim de semana em Pernambuco, são equipados com radar para localização de manchas de óleo e recursos para contenção e recolhimento do material que se encontra na superfície. A companhia também está usando drones para a inspeção das praias.

A Petrobras permanece com diversas equipes em campo, totalizando cerca de 500 pessoas trabalhando simultaneamente. Mais 30 profissionais de diversas áreas da companhia atuam diariamente na central de planejamento e logística no Rio de Janeiro. 

A estatal também mobilizou um helicóptero para sobrevoos diários, carros e caminhões para apoio às equipes de campo, além de recursos de 19 estruturas de resposta à emergência, considerando os centros de defesa ambiental, os centros de resposta a emergência das unidades operacionais e os terminais da Transpetro (Petrobras Transpetro S.A.).

São José da Coroa Grande em estado de emergência

Após a confirmação do aparecimento das manchas de óleo, a Prefeitura de São José da Coroa Grande decretou estado de emergência, na noite da quinta-feira (17). Com o a medida, a Marinha do Brasil enviou 107 homens com 5 carros 4x4 e a Capitania dos Portos irá mandar 2 barcos para fazer a inspeção em toda orla do município.

Também usado em casos de desastres naturais (ainda não está confirmado o crime ambiental), o estado de emergência é importante porque dará celeridade na liberação de recursos financeiros, das esferas federal e estadual. Com isso, a prefeitura terá verba para melhorar a infraestrutura no combate ao avanço do óleo no município, adquirir materiais específicos para a remoção do óleo e ajudar as famílias atingidas com comida e água potável, por exemplo.

Local do suposto vazamento

O vazamento de óleo que atingiu todo o litoral do Nordeste do Brasil pode ter ocorrido em uma região entre 600 km e 700 km da costa, na altura dos Estados de Sergipe e Alagoas. Pelo menos é o que aponta a estimativa feita por pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Eles trabalharam com uma tecnologia conhecida como modelagem inversa, que parte dos pontos de chegada das manchas nas praias e faz o caminho para trás, estimando o ponto de origem desse óleo. O estudo foi encomendado pela Marinha à Coppe/UFRJ.

Os pesquisadores acreditam que o mais provável é que tenha ocorrido um grande vazamento neste local, talvez durante uma malsucedida operação conhecida como ship-to-ship, em que o óleo é transferido de uma embarcação a outra em alto-mar, o que traz altos riscos de acidente.

Como o óleo pode afetar sua saúde

De acordo com especialistas, o contato com as manchas de óleo pode desencadear doenças respiratórias e de pele. Para o médico toxicologista Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica da Universidade de São Paulo (USP), o contato com a substância é semelhante ao ato de inalar ou passar gasolina ou querosene na pele.

"O petróleo é resultante da decomposição de matéria orgânica presente no planeta há milhões de anos, formando uma mistura de hidrocarbonetos como tolueno, xileno, benzina e benzeno. Sendo assim, o risco se assemelha ao de inalar ou passar gasolina ou querosene na pele", afirma.

Veja a lista de praias afetadas pelo óleo

•Boa Viagem - Recife - oleada/vestígios esparsos

•Praia Del Chifre - Olinda - oleada/vestígios esparsos

•Candeias - Jaboatão dos Guararapes - oleada/vestígios esparsos

•Piedade - Jaboatão dos Guararapes - oleada/vestígios esparsos

•Praias de Gamboa - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos

•Praia de Nossa Senhora do Ó - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos

•Porto de Galinhas - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos*

•Cupe - Ipojuca - oleada

•Maracaípe - Ipojuca - oleada

•Serrambi - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos

•Enseadinha - Ipojuca - oleada/vestígios esparsos

•Muro Alto - Ipojuca - oleada

•Pau Amarelo - Paulista - oleada/vestígios esparsos*

•Conceição - Paulista - oleada/vestígios esparsos

•Carneiros - Tamandaré - oleada

•Tamandaré - Tamandaré - oleada

•Ilha Cocaia - Cabo de Santo Agostinho - oleada/vestígios esparsos*

•Praia do Paiva - Cabo de Santo Agostinho - oleada

•Praia do Forte Orange - Ilha de Itamaracá - oleada/vestígios esparsos*

•Catuama - Goiana - oleada/vestígios esparsos*

•Ponta de Pedras - Goiana - oleada/vestígios esparsos*

•São José da Coroa Grande - oleada

•Praia de Suape/Cabo de Santo Agostinho - oleada

•Praia de Itapuama/Cabo de Santo Agostinho - oleada

•Calhetas/Cabo de Santo Agostinho - oleada

•Gaibu/Cabo de Santo Agostinho - oleada

*Apesar de afetadas, atualmente não há registro do material nestas praias.

Fonte: Ibama e Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco e prefeituras

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