ENERGIA RENOVÁVEL

Nordeste receberá 250 milhões de euros em investimentos em parques eólicos

Contrato de financiamento foi assinado entre o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o grupo Iberdrola, durante a COP25. É o primeiro acordo do banco para energias renováveis no Brasil

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 05/12/2019 às 12:47
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Foto: Amanda Miranda/ Blog de Jamildo
Contrato de financiamento foi assinado entre o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o grupo Iberdrola, durante a COP25. É o primeiro acordo do banco para energias renováveis no Brasil - FOTO: Foto: Amanda Miranda/ Blog de Jamildo
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MADRI, ESPANHA - O Banco Europeu de Investimento (BEI) e o grupo espanhol Iberdrola fecharam nesta quinta-feira (5), durante a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP25, em Madri, um contrato de financiamento de 690 milhões de euros para energias renováveis no Brasil e digitalização de redes elétricas na Espanha. Desse total, 250 milhões vão para a construção de 15 parques eólicos em três estados do Nordeste: Piauí, Paraíba e Bahia.

O valor será destinado aos complexos de Oitis (PI/BA), que receberá 90% do investimento, e Chafariz (PB), para onde vão 10%.

As obras na Paraíba começaram em outubro deste ano, no município de Santa Luzia. Já no Piauí, em Dom Inocêncio, e na Bahia, em Casa Nova, o projeto está em fase de licenciamento.

A construção dos parques vai custar ao todo R$ 4,7 bilhões. O crédito com o banco europeu é de cerca de R$ 1,2 bilhão. O restante será obtido através de outras formas de financiamento.

A expectativa da Neoenergia, controlada pela Iberdrola e responsável pela construção dos parques, é de que sejam criados 2,3 mil postos de trabalho nos cinco anos de implantação dos empreendimentos na região.

Recursos europeus, fora do BNDES

Este é o primeiro contrato da Iberdrola com o BEI para investimentos em energias renováveis no Brasil. No país, o BNDES é o principal financiador da área.

O CEO da Neoenergia, Mário Ruiz-Tagle, enfatizou que um ponto chave da negociação foi o fato de o banco de fomento europeu ter conseguido condições competitivas no Brasil, tornando-se uma alternativa ao BNDES. “É uma amostra da confiança na economia brasileira”, disse.

O CEO da Iberdrola, Ignacio Galán, afirmou que é uma possibilidade além do BNDES. “É uma oportunidade para abrir a possibilidade de fundos especiais do BEI para utilizar também no Brasil. Isso não é contra nada, é mais a mais”.

De acordo com Ema Navarro, vice-presidente do banco europeu, 65% dos 650 milhões de euros destinados pelo BEI à América Latina são para iniciativas voltadas às mudanças climáticas. “No Brasil, realmente o setor de renováveis tem grande potencial e um esforço importante em apostar pelo desenvolvimento de energias renováveis. Estamos satisfeitos em apoiar esses esforços no Brasil”, disse.

R$ 30 bilhões até 2023

O planejamento da Neoenergia é de investir cerca de R$ 30 bilhões até 2022 no Brasil, sendo 60% no Nordeste. Anualmente, segundo Mário Ruiz-Tagle, a expectativa é de manutenção do patamar de investimento de R$ 5 bilhões.

O financiamento nos complexos de Paraíba, Pernambuco e Piauí faz parte dos cerca de 20% destinados à energia éolica. Além desse percentual, aproximadamente 60% para distribuição e 20% para transmissão.

Com isso, tem a previsão de gerar 4 mil postos de trabalho. Antes de assinar o contrato com o BEI, Ignacio Galán e Mário Ruiz-Tagle se reuniu com o ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, para falar sobre os projetos. Segundo o CEO da Iberdrola, a conversa foi “construtiva”.

Energia renovável estratégico para o mercado

De acordo com o diretor de políticas energéticas e mudanças climáticas da Iberdrola, Carlos Sallé Alonso, o investimento em energias renováveis começou há cerca de duas décadas como uma política para o clima e atualmente também é uma estratégia de mercado, por ter preços competitivos. “A aposta não é só para o planeta, mas para os acionistas”, afirmou. “O mercado de capitais está exigindo a descarbonização”.

De acordo com a consultoria Lazard, o custo da energia solar é entre 98 e 181 dólares por megawatt hora e a eólica varia de 29 a 56. Já a de carvão mineral vai de 60 a 143 dólares por megawatt hora e a nuclear de 112 a 189.

O professor Emílio Lèbre de la Rovere, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concordou que o mercado aponta na direção de novas tecnologias renováveis. “Não adianta remar contra a maré”.

*A repórter viajou a convite do Grupo Neoenergia

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