BLOCO NORDESTE

Privatização do Aeroporto do Recife é um caminho sem volta

Mercado diz que não há ambiente para reverter leilão, mas investimento de R$ 865, 2 mi continua no centro da polêmica

Ana Tereza Moraes
Ana Tereza Moraes
Publicado em 12/03/2019 às 8:34
Foto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem
Mercado diz que não há ambiente para reverter leilão, mas investimento de R$ 865, 2 mi continua no centro da polêmica - FOTO: Foto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem
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Especialistas e até executivos de companhias aéreas acreditam que o leilão de privatização do Bloco Nordeste – que inclui seis aeroportos, entre eles o do Recife – é um caminho sem volta e será bem sucedido. O pregão ocorre na próxima sexta-feira, promovido pelo governo federal na Bolsa de Valores de São Paulo. No entanto, o que está provocando polêmica é o valor do investimento previsto, de R$ 865,2 milhões, para o Aeroporto Internacional do Recife num período de 30 anos da concessão. “O nosso posicionamento é a favor da privatização, porque os principais aeroportos do Nordeste, Sul e Sudeste têm operadores privados. Não concordamos com os valores do investimento, porque tanto os aeroportos de Salvador quanto o de Fortaleza tiveram mais recursos estabelecidos, quando ocorreram as suas privatizações. No de Salvador, ainda colocaram a obrigatoriedade de uma segunda pista”, resume o presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Alexandre Valença. 

Na privatização dos aeroportos de Salvador e Fortaleza, foram estabelecidos investimentos, respectivamente, de R$ 2,3 bilhões e R$ 1,3 bilhão, a serem feitos durante a concessão. “Uma privatização que não prevê a construção de uma outra pista no prazo de 30 anos pode significar a estagnação do Aeroporto do Recife. Também incluíram no pacote vários aeroportos deficitários e isso pode significar uma limitação do terminal recifense”, argumenta Valença, acrescentando que em 2018 o equipamento recifense recebeu cerca de 500 mil passageiros a mais do que o Aeroporto da capital baiana.

Professor de estratégia do Insper, Sandro Cabral diz não ter dúvidas de que serão muitos os interessados no Bloco Nordeste. Além do terminal recifense, o bloco conta com os aeroportos de Maceió (AL), Aracaju (SE), Juazeiro do Norte (CE), João Pessoa e Campina Grande (PB). “Nesse grupo, Recife é a joia da coroa. É uma forma de fazer com que as empresas não fiquem só com o filé mignon. No futuro, isso pode trazer sinergias e estimular uma aviação regional, gerando redução de custos, por exemplo, compras únicas”, explica. Ele acredita que operadoras internacionais vão disputar o Bloco Nordeste. “Conheço a realidade dos aeroportos do Nordeste. Em termos de infraestrutura, o Aeroporto do Recife apresenta melhores condições”, cita Cabral.

Custeamento de outros aeroportos

O diretor de Alianças da Azul, Marcelo Bento também vê com bons olhos a privatização por causa dos investimentos previstos no edital de concessão. Líder em operações no Aeroporto do Recife, a companhia tem quase 50 operações diárias no equipamento, o que corresponde a cerca de 23% de todos os pousos e decolagens locais. “Já percebemos uma saturação do aeroporto em alguns horários pela manhã ou à noite, quando temos várias operações simultâneas. Por isso, defendemos que os investimentos são necessários. O que nos preocupa é o modelo da concessão em bloco, porque isso pode fazer com que o Recife tenha que custear os outros aeroportos que estão no mesmo bloco”, afirma. E acrescenta: “Não somos operadores aeroportuários, mas o investimento previsto não é pouco, porque o Recife já tem uma boa infraestrutura. O primordial é garantir o investimento logo”. 

Os outros aeroportos que fazem parte do Bloco Nordeste têm respectivamente os seguintes investimentos previstos: Maceió (R$ 411,8 milhões), João Pessoa (R$ 271,4 milhões) Aracaju (R$ 255,1 milhões), Juazeiro do Norte (R$ 193,5 milhões) e Campina Grande (R$ 155,7 milhões).

O governo do Estado não se pronunciou sobre o leilão do aeroporto.

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