Empreendedorismo

Dia do Sexo: mercado erótico tenta superar desafios da crise no País

Criatividade tem sido principal saída para sobreviver aos obstáculos econômicos

Thiago Wagner Thiago Wagner
Thiago Wagner
Thiago Wagner
Publicado em 06/09/2019 às 8:01
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Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem
FOTO: Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem
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O Dia do Sexo, celebrado em 6/9, é uma data sugestiva criada informalmente em 2008 por uma marca de preservativos. A ideia era aquecer o mercado de produtos eróticos, que hoje movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (Abeme). Apesar das cifras, o setor também foi afetado pela crise financeira que o País atravessa, e a criatividade para oferecer soluções aos clientes tem sido a principal saída para empresários que sobrevivem da libido dos outros.

Em 2017, o empresário Gilson Leite Junior, 52 anos, criou um site para vender produtos de sex shop. Ele entregava os brinquedos eróticos para todo Brasil, mas notou que os clientes tinham necessidade de ver, tocar, cheirar os produtos. Depois de um ano, decidiu abrir uma loja física, a Nuance Boutique, no bairro do Espinheiro. Hoje, um ano depois, ele celebra o crescimento do negócio, mas revela que ainda está muito abaixo da meta estabelecida para o período. “Nossa ideia era um faturamento mensal de cerca de R$ 50 mil. Atualmente o negócio gira em torno de R$ 15 mil, mas existe um crescimento discreto mês a mês”, contou.

O tíquete médio na loja é de R$ 50, mas há produtos com valores de R$ 8 a R$ 600. Quando criou a plataforma digital, apostava que as pessoas teriam vergonha de comprar produtos eróticos em lojas. Depois de perceber a necessidade do seu público, afirma que a maior parte de suas vendas é na loja física. “Nosso movimento é maior no início do mês, depois despenca muito. Todos gostam de sexo, mas produtos que apimentam as relações não são de primeira necessidade”, diz ele.

Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem
Setor de motéis busca modernização - Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem
Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem
Mercado de produtos eróticos movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano - Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem
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Mercado de produtos eróticos movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano - Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem
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Mercado de produtos eróticos movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano - Foto: Brenda Alcântara / JC Imagem

Associado à Abeme, Gilson discorda dos dados que enaltecem o mercado erótico. “É um bom setor, com boa margem de lucro, mas não é tão simples. Temos que vencer barreiras, fazer promoções. É um trabalho duro, principalmente contra o preconceito”, ressaltou. O tabu de tratar sobre sexo, inclusive, é reproduzido por quem trabalha no setor. A reportagem entrou em contato com pelo menos cinco estabelecimentos sex shop, mas a maioria preferiu seguir no anonimato.

Segundo a Abeme, o setor conta com mais de 100 mil empreendedores atuando no País, em cerca de 11 mil pontos de vendas, gerando 100 mil empregos diretos e indiretos. Com relação ao público, 30% dos clientes são recorrentes. Além disso, 58% do público é feminino e 42% masculino. Entre as mulheres, os produtos favoritos são aqueles que estimulam o orgasmo e vibradores. Já os homens recorrem a soluções lubrificantes e produtos que retardam o orgasmo.

Para a escritora e desenvolvedora de produtos eróticos e sensuais, Paula Aguiar, os tempos de crise precisam ser vencidos com criatividade. Ela também incentiva pessoas à procura de ocupação ou de uma segunda renda a se tornarem consultoras, vendendo tais produtos de porta em porta. A estratégia tem sido bem aceita, inclusive, já que a Abeme estima que mais de 80 mil profissionais mudaram de ramo nos últimos 5 anos para atuar como consultoras de produtos eróticos.

“É possível começar a vender esses produtos com revistinhas catálogo, como aquelas da Avon, e um investimento de R$ 50 ou R$ 100. Já existe consultora fazendo uma renda de R$ 1 mil por mês. Já dá para ajudar em alguma conta em casa”, afirmou Paula Aguiar, que trabalha nesse ramo há mais de 20 anos.

Ainda segundo ela, o momento de recessão afasta as pessoas dos motéis, dos restaurantes, ou de outras formas de lazer que custam mais caro. “Tem prazer mais barato do que sexo? Pois então, as pessoas têm preferido ficar em casa para namorar, fazem um jantarzinho e curtem sem sair. É nesse momento que elas podem inovar usando um gel ou outros produtos mais lights que o parceiro não vai estranhar”, opinou Paula Aguiar.

POTENCIAL

Visto como ferramenta de conexão entre os casais, os produtos eróticos podem variar de simples pastas de causam sensações durante o ato sexual até equipamentos que simulam órgãos sexuais, com movimentos e vibrações, passando por fantasias e equipamentos de sadomasoquismo. Os preços variam de acordo com a complexidade do brinquedinho. Mas a estimativa é de que existam mais de 15 mil itens à disposição do consumidor brasileiro.

“Apenas 17% dos brasileiros já comprou algum produto erótico. É um mercado muito jovem, criado em 1962. Então, ainda temos muito público a conquistar. O bom é que alguns filmes, como De Pernas pro Ar e 50 tons de cinza, tem ajudado a desmistificar esse tema. Ainda tem o empoderamento das mulheres, que já sabem como querem sentir prazer”, resumiu Paula Aguiar.

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