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Ministro da Cidadania diz que jovens 'nem-nem' do Bolsa Família são 'quase exército reserva para a criminalidade'

Responsável pela pasta, o ministro Osmar Terra visitou o parque tecnológico do Recife nesta quinta-feira (23)

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 23/01/2020 às 14:50
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Foto: Rafael Zart/Ministério da Cidadania
Responsável pela pasta, o ministro Osmar Terra visitou o parque tecnológico do Recife nesta quinta-feira (23) - Foto: Rafael Zart/Ministério da Cidadania
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Alinhada com as propostas de mudança que estão sendo estudadas pelo governo federal para o programa Bolsa Família, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, passou a cogitar a possibilidade de utilizar a infraestrutura do Porto Digital para capacitar jovens atendidos pelo programa social e, assim, fazer com que o Bolsa Família chegue ao nível de "não ficar só transferindo renda, mas dê oportunidade das pessoas saírem com as próprias pernas da pobreza." Na capital pernambucana, o ministro disse que os jovens "nem-nem" do programa são "quase um exército reserva para a criminalidade" e ressaltou que esse número chega a 4,6 milhões de jovens atendidos em todo o País.

De acordo com o Osmar Terra, o ecossistema de tecnologia hoje tem um grande papel no desenvolvimento do País e também na possibilidade de garantir emprego aos mais pobres a partir da qualificação. "Porque não utilizar todo esse exército de jovens que não têm oportunidade  de trabalho e não estão estudando para que passem a fazer cursos de TI, principalmente as famílias mais pobres do Bolsa Família? Temos 4,6 milhões jovens 'nem, nem', que nem trabalham e nem estudam somente no Bolsa família. Isso é tragédia social, mas são jovens que de repente chegaram até o ensino médio e pararam. A gente quer usar essas estruturas aqui (do Porto Digital) para fazer (isso)", disse o ministro. 

Garantir algum caminho para geração de renda e, consequentemente, saída aos poucos do programa Bolsa Família é uma demanda que tem sido perseguida pelo governo entre as propostas de mudança para o programa de transferência de renda. Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, Terra já informou que o ministério está negociando com empresas a oferta de cursos gratuitos aos jovens do Bolsa Família, que vão ganhar um benefício enquanto estiverem fazendo o curso.

"Esses jovens podem e têm potencial que tem um jovem de uma família de classe média. Precisa dar oportunidade deles aprenderem e se inserirem no mercado de trabalho. Por que os jovens do Bolsa Família não podem fazer startup (empresas baseadas em tecnologia) e com isso ganharem bem e darem oportunidade a suas famílias", questionou o ministro. 

De acordo com o ministro, os jovens 'nem-nem' no Bolsa Família são "quase um exército reserva para a criminalidade". "Se não formos competentes em oferecer uma saída para eles, se não oferecemos, outros vão oferecer e da pior maneira possível", alertou. "Vamos avançar dentro do Bolsa família, nessa questão da escolaridade, oferecendo prêmios aqueles estudantes que passarem de ano e os que têm notas boas . Tudo isso está sendo discutido, assim como o voucher de creche para as mães do Bolsa Família. Estamos discutindo uma questão muito específica também, queremos condicionar tudo isso a uma melhoria do desempenho. Não ficar só dando, transferindo a renda, mas dar oportunidade das pessoas saírem com as próprias pernas da pobreza", acrescentou Terra.  

A reestruturação que o governo federal quer fazer no programa Bolsa Família prevê aumentar a renda de 10 milhões de beneficiários mais pobres que já estão no programa social e deve custar em torno de R$ 7 bilhões. O custo, entretanto, tem sido avaliado pela equipe econômica do governo por conta de falta de espaço no Orçamento. 

Porto Digital

Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, a crescente demanda por mão de obra na área de tecnologia da informação é um forma de incluir as pessoas, porque, em se tratando do Porto Digital, esse não poder ser um "projeto de formação de classe média". "Precisa incluir as classes C, D e E, que não pagar por uma universidade mas têm uma demanda. A gente tem emprego disponível para tecnologia em qualquer grande cidade do Brasil, e não é diferente aqui no Recife", afirma Lucena.  

Segundo Pierre, é muito bem-vinda a possibilidade de incluir pessoas do Bolsa Família, "jovens que estão sem perspectiva de trabalho, dentro da área de tecnologia. "Precisamos incluir a população pobre dentro da área de tecnologia. O Recife é uma cidade majoritariamente pobre, se hoje a gente tem uma capacidade de colocar mais ou menos 2 mil pessoas no mercado de trabalho de TI, com o que formamos ou trazemos de outras cidades, poderíamos ampliar isso se conseguirmos fazer um programa de inclusão. A gente tem recebido autoridades aqui dentro com dois grandes objetivos: primeiro mostrar o projeto de inovação que foi feito aqui no centro do Recife e também convencer as pessoas, principalmente autoridades públicas, da necessidade que temos hoje de formação de mão de obra, que é preciso um projeto nacional de formação em TI", assegura o presidente do Porto. 

 

 

 

 

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