Entrevista

Alan Ruschel diz não lembrar do acidente e confirma que vai voltar a jogar pela Chapecoense

Ruschel deve iniciar a fisioterapia nos próximos dias e disse que quer, o quanto antes, voltar a jogar futebol

JC Online
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Publicado em 17/12/2016 às 8:21
Foto: Reprodução
Ruschel deve iniciar a fisioterapia nos próximos dias e disse que quer, o quanto antes, voltar a jogar futebol - FOTO: Foto: Reprodução
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Um dos sobreviventes da tragedia com o voo da Chapecoense, que caiu na Colômbia matando 71 pessoas, o lateral Alan Ruschel deu uma entrevista coletiva, na manhã deste sábado, após receber alta médica. Bastante emocionado em alguns momentos da conversa, o jogador afirmou que vai voltar a jogar futebol pela Chape e confirmou não lembrar nada do acidente.

"Não lembro de nada do momento do acidente. Minhas lembranças são embarcando em São Paulo, para Santa Cruz de La Sierra, e depois mudando de aeronave para ir para Medellín. Depois isso, só lembro eu já no hospital, com minha esposa do meu lado. Não sabia do jogo, do que tinha acontecido comigo, nada", disse Ruschel, bastante emocionado. 

O atleta também confirmou que, ao embarcar para Medellín, estava sentado no fim do avião, mas foi "convencido" por membros da comissão técnica da Chapecoense a sentar mais pra frente. "Estava lá atras, mas pediram para eu sentar mais pra frente, pra deixar os jornalistas na parte de trás do avião. Eu não queria, mas fui", disse, chorando bastante. Dos jornalistas, apenas Rafael Henzel sobreviveu: 21 profissionais de imprensa morreram. 

 

VOLTA AOS GRAMADOS

Ruschel deve iniciar a fisioterapia nos próximos dias e disse que quer, o quanto antes, voltar a jogar futebol. "Espero voltar a jogar o quando antes e poder levar o ambiente que carrego comigo e pra dentro do vestuários e para os jogadores que vão chegar para trabalhar aqui". 

Ao falar da morte dos companheiros de time, Alan Ruschel não conteve a emoção. "A Chapecoense era mais que um time. Era uma família, vcs viram isso. Ficamos mais tempo com o time que com nossa família. Por isso chegamos onde chegamos. A gente era muito unido, além de colegas de profissão, éramos amigos. Isso que vou levar da chapecoense", disse. 

ENCONTRO COM NETO

Ruschel já foi visitar o amigo Neto, que assim como ele, também sobreviveu ao acidente, mas permanece internado. "O Neto é uma pessoa maravilhosa. Sou muito próximo a ele", disse, interrompido pelo choro.

 

COCA COLA NO HOSPITAL

O lateral também disse, num dos poucos momentos descontraídos da entrevista, que tomou Coca Cola quando estava no hospital em Medellin. "Eu não sentia o gosto de nenhuma comida. Nada. Aí pedi a minha esposa: 'vai comprar uma Coca Cola pra mim! Preciso sentir o gosto de alguma coisa'. A esposa comprou a Coca, mas o médico que o atendia limitou a uma lata.

Ruschel também prometeu fazer, o mais breve possível, um churrasco para os médicos colombianos para agradecer a forma como cuidaram dele. "Dá pra fazer churrasco porque posso comer proteína (risos). Mas o bom mesmo foi comer feijão, arroz e um bife acebolado. Estava precisando muito disso", concluiu.

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