PROJETO SOCIAL

Recife: Triatlo transforma crianças com obesidade e outros distúrbios

Crianças entre 10 e 13 anos estão ganhando a consciência de hábitos saudáveis e desenvolvimento nos estudos

Maria Lua Ribeiro
Maria Lua Ribeiro
Publicado em 15/09/2017 às 18:00
Foto: Cortesia
Crianças entre 10 e 13 anos estão ganhando a consciência de hábitos saudáveis e desenvolvimento nos estudos - FOTO: Foto: Cortesia
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Considerado um esporte elitista, o triatlo está transformando a vida de algumas crianças, inclusive as de baixa renda no Recife, graças ao grupo Tri Amigos Pernambuco. Além de incentivar os pequenos a desenvolverem hábitos saudáveis, o projeto tem como objetivo exercitar a capacidade mental deles, fazendo com que valorizem cada vez mais os estudos.

O triatlo é o conjunto de três atividades. A prova começa com a natação, depois segue para o ciclismo e é encerrada com a corrida. A ideia começou quando o educador físico Pedro Barros, de 32 anos, planejou uma confraternização entre os triatletas pernambucanos no final do ano de 2016. O projeto piloto consistia em reunir esses atletas e simular uma prova de triatlo no Recife. Ele foi realizado no dia 7 de janeiro deste ano, com 24 pessoas. Surpreso com a proporção que a atividade ganhou, a segunda confraternização foi concretizada no mês seguinte, e o número de participantes cresceu para 54.

A terceira edição da competição, que aconteceu em abril, saltou de 54 para 117 participantes. Foi nesta ocasião que Pedro, juntamente com outros profissionais, arrecadou material para promover uma ação social que envolvesse crianças. "Conseguimos juntar tendas, bandejas para depositar os lanches das crianças, botijões de água, óculos e toucas de natação, capacetes, bicicletas e caixas para organizar todo o material", explicou o professor. Hoje, o projeto conta com a participação de cerca de 20 crianças, que vão desde baixa renda, até a classe média, que são os próprios filhos dos triatletas. Elas têm entre 10 e 13 anos.

Seleção

O personal trainer, Pedro Barros explicou que as crianças escolhidas para fazerem parte do projeto passam por vários processos seletivos: "Conversamos com professores e diretores de escolas públicas para realizar uma triagem e saber quem tem o perfil do projeto. Como o nosso objetivo é dar atenção principalmente aos que sofrem de obesidade ou qualquer transtorno psicossomático, a maioria deles não tem a destreza de um atleta", contou.

Depois da triagem, os meninos e meninas passam por avaliação médica para saber se estão aptos a realizar atividades físicas. Além disso, existe a avaliação nutricional para reeducar a alimentação deles, e as análises físicas.

Incentivo à leitura

Quando iniciadas as atividades, as crianças têm apenas uma obrigação: ler os livros oferecidos pelo Tri Amigos a cada 15 dias e realizar resumos sobre o que aprendeu. O detalhe é que essas atividades devem ser manuscritas. "Esse pedido para que eles escrevam a punho, é para tirá-los do universo digital e fazer com que eles criem o hábito da leitura melhorando o desenvolvimento intelectual", disse Pedro.

Atividades

As modalidades são realizadas duas vezes na semana, nas terças e quintas-feiras, às 14h. O ciclismo e a corrida acontecem na pracinha da Via Mangue, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Já a natação ocorre na praia, também em Boa Viagem, quando a maré está baixa, em uma área onde possui arrecifes e piscinas naturais.

"Além da aula de natação, fazemos um trabalho de conscientização das crianças, informando sobre os riscos de outras regiões a praia. É necessário que eles entendam a importância da supervisão de alguém quando estiverem no mar. Na região em que as aulas são efetuadas, houve todo um estudo oceanário, e não há o menor risco para elas", comentou o triatleta.

Para colaborar com o projeto através de trabalhos voluntários ou doações de materiais, o Tri Amigos disponibiliza as duas redes sociais (Instagram e Facebook). Lá, as pessoas podem entrar em contato diretamente com os responsáveis.

Transformação

Pedro Barros chama a atenção para o papel social do projeto e no significado que a realização dele está trazendo não somente para as crianças. Ele contou que todas a provas e a transformação dos pequenos tem um significado especial para a sua vida como profissional de educação física.

"Ver crianças sendo capturadas, escravizadas e tendo suas infâncias roubadas por falta de oportunidade junto a esse processo de informatização em tudo, me angustia muito. Estão cada vez mais ausentes do mundo real. Pretendo minimamente mostrar um universo mais próximo da realidade e que pelo menos eles conheçam como era a vida de seus pais. Sinto-me na obrigação de fazer com que elas voltem a viver a infância, a fase mais mágica da vida das pessoas," finalizou.

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