REMO

Objeto olímpico: a balança que regula a dieta dos remadores

Para os remadores, além de ter o braço forte, é melhor ser bom de matemática

AFP
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Publicado em 10/08/2016 às 10:04
Foto: Damien MEYER / AFP
Para os remadores, além de ter o braço forte, é melhor ser bom de matemática - FOTO: Foto: Damien MEYER / AFP
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Desde os Jogos de Atleta-1996, o programa olímpico de remo passou a ter provas com peso leve. As categorias de peso são sinônimo de dieta rigorosa e luta ferrenha contra a balança.

Os pesos leves são pesados todo dia de competição, no mínimo duas horas antes da primeira corrida e no máximo uma hora antes.

Para as mulheres, o limite de peso é 59 kg e média da equipe não pode estar acima de 57 kg. No masculino, o peso máximo é 72,5 kg, com média de 70.

Campeão mundial do double skiff peso leve, o francês Jérémie Azou descreve no seu site um verdadeiro quebra-cabeça.

"Essas são as soluções que podemos adotar, por exemplo, no quatro sem peso leve: remador número 1 = 68 kg, remador 2 = 71 kg, remador 3 = 72 kg e remador 4 = 69 kg. A média dá exatamente 70 kg. Para isso, todo mundo precisa fazer uma dieta. O mais difícil é definir quem vai compensar quem!", relata.

Ou seja, além de ter o braço forte, é melhor ser bom de matemática.

'Guerra psicológica'

O índice de massa corporal dos atletas ajuda a nortear a estratégia. "Não é recomendado ter abaixo 5% de massa gorda para os homens. Abaixo desse limite, o atleta é mais sujeito a lesões", explica Azou, que vê a dieta como uma "verdadeira guerra psicológica".

"Com o passar dos anos, você aprende a lidar com isso", pondera o remador à AFP. Ele mesmo nunca perde mais de um quilo por semana e procurar estabilizar um peso mais baixo que o necessário uma semana antes da competição.

Outro problema é lidar com o pavio curto dos companheiros, em um grupo de remadores obcecados pela dieta.

"Temos que eliminar tudo que pode atrapalhar a preparação para um campeonato importante", avisa.

"Mas é uma experiência da qual não me arrependo. A privação também é a oportunidade de introspeção, em uma sociedade de consumo excessivo", resume.

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