COMPLICOU

Diego Souza negocia distrato com Botafogo nesta segunda, mas vinda para o Sport se complica

Nome de DS87 não é unanimidade entre a diretoria rubro-negra e comissão técnica

Filipe Farias
Filipe Farias
Publicado em 05/01/2020 às 17:53
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Foto: JC Imagem
Nome de DS87 não é unanimidade entre a diretoria rubro-negra e comissão técnica - FOTO: Foto: JC Imagem
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A novela Diego Souza caminha para um final. E não é feliz para a maioria da torcida do Sport, que sonhava por um retorno do Embaixador de 87 à Ilha do Retiro. Nos últimos dias de 2019, a diretoria rubro-negra chegou a fazer o primeiro contato oficial com o representante do meia-atacante (Eduardo Uram) para expor a atual situação financeira do clube e mostrar quais condições poderia tentar um acerto com DS. Como o planejamento da direção leonina é trabalhar com um teto salarial de R$ 150 mil em 2020, a ideia era incluir nos vencimentos do atleta a dívida que o Sport tem com ele de R$ 1.040.046,58 dos atrasados referentes à temporada 2017, mas de forma diluída - chegou a acionar o clube na Justiça do Trabalho para receber a quantia, já que se não ingressasse com a ação, iria perder os seus direitos, por prescrever o período de dois anos (após o seu desligamento do Sport) para reclamar na Justiça. Tal proposta teria agradado Diego Souza, que manifestou o seu interesse de retornar ao Sport nessas condições.

Entretanto, o nome de Diego Souza nunca foi unanimidade na atual diretoria do Sport. Principalmente na alta cúpula. Nomes como o do presidente Milton Bivar e dos diretores de futebol Wanderson Lacerda e Fred Domingos, não são favoráveis ao retorno do meia-atacante. Além do técnico Guto Ferreira, que internamente já teria descartado a contratação do atleta. Porém, por se tratar de um ídolo, a negativa publicamente de abrir as portas do clube para DS87 implicaria num mal-estar com a torcida rubro-negra, que clama pelo retorno de Diego. A prova é tanta que, após a entrevista de Wanderson ao Super Esportes, descartando a contratação de DS, por questão de idade, o torcedor leonino passou a questionar o diretor de futebol e a criticá-lo nas redes sociais. Sendo colocado inclusive como o pivô para o não retorno de Diego Souza ao clube.

Político e de olho na movimentação do torcedor nas redes sociais, Milton Bivar sempre se esquivou de se posicionar quanto ao retorno de Diego Souza. E encontrou na delicada situação financeira do Sport, uma alternativa perfeita para justificar a não contratação do Embaixador de 87. Até aí, a estratégia do presidente vinha funcionando, pois os rubro-negros apoiam a sua política de austeridade e pés nos chão. Sem loucuras financeiras. Contudo, Milton se viu de mãos atadas diante da disposição de DS em baixar o seu salário (que ao contrário do que se falava, não era de R$ 600 mil; o Botafogo paga R$ 500 mil). Como o
Sport está disposto a pagar no máximo R$ 150 mil e um possível acerto de repactuação da dívida seria de R$ 100 mil mensais, Diego receberia no Leão um vencimento de R$ 250 mil (a metade do que recebia no clube carioca).

Essa situação de repactuação dos atrasados já tinha sido tentada pelo Sport no início de 2019, como revelou o vice-presidente jurídico do Leão, Manoel Veloso, em entrevista ao repórter João Victor Amorim, da Rádio Jornal. "Tivemos algumas conversas no início desse ano (2019) para ele (Diego Souza) retornar ao clube. Chegamos a discutir o salário com a repactuação da dívida. Mas, por questões profissionais e de outras ordens, não se chegou ao consenso e ele acabou indo para outro clube (Botafogo)”, explicou o jurídico leonino, que ao lado do diretor de futebol Nelo Campos, são os únicos que aprovam o retorno de DS87.

Pressionado pela condição financeira criada para o acerto com Diego Souza, Milton permitiu o contato com o representante do jogador. E, coube a Nelo Campos, a tentativa de um acordo. A conversa teve uma sinalização positiva e, posteriormente, ficou a cargo do staff do meia-atacante a tentativa de liberação do Botafogo, já que o atleta ainda tem dois anos a cumprir com o clube carioca, que já deixou claro que não pretende contar com DS por conta do alto salário. De acordo com reportagem do UOL, neste domingo (5), a diretoria do Botafogo deve definir nesta segunda-feira (6) sobre o futuro do jogador... De como será feito esse distrato. O empresário do jogador, Eduardo Uram, vai se reunir com Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo e atual membro do Comitê de Executivo de Futebol do clube, para definir essa situação.

"Diego Souza é um jogador que, em relação a futebol, já mostrou que tem de sobra. Inclusive já vestiu a camisa da seleção brasileira, sendo convocado algumas vezes. Mas é certo que não pode ficar os dois (DS e Cícero). É muito complicado, pois não temos dinheiro. Mas existe um contrato e, com respeito aos jogadores, vamos conversar para resolver. Com o Cícero está praticamente resolvido e ele resolveu apostar no Botafogo (reduzir o salário e negociar os atrasos). Com relação ao Diego Souza, amanhã (segunda), eu tenho uma reunião com o Eduardo Uram (empresário de Diego Souza) para ver o que pode ser feito. Não posso adiantar nada agora. Não adianta nada dizer agora que o contrato foi errado, que não deu certo. Eu, particularmente, gosto do Diego Souza. Acho que ele não estava no auge de sua forma física em 2019, mas mesmo assim fez gols importantes que nos manteve na Série A. A questão é dinheiro mesmo. Não adianta. Às vezes, você quer ter uma Ferrari, mas tem que andar de Fiat mesmo, porque não tem condição. Sou pragmático nessas horas e sei que o Eduardo Uram também é... E vamos chegar num acordo", falou Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo e atual membro do Comitê de Executivo de Futebol do clube, em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, na tarde deste domingo (5).

DESCARTADO

Mesmo com essa possibilidade de Diego Souza acertar a sua saída do Botafogo de forma amigável e ficar livre no mercado, a reportagem do Jornal do Commercio apurou que a direção do Sport descartou, veementemente, nos bastidores, a contratação de Diego Souza. Demovendo da ideia de uma repactuação. Principalmente porque também está levando em consideração o fato de que o técnico Guto Ferreira não acredita que o perfil e o estilo de jogo de DS se enquadrem ao que ele pretende implementar no time rubro-negro em 2020.

Diante da negativa da contratação de Diego Souza e da possibilidade criada para diluir a dívida no salário do meia-atacante, só o que resta agora ao Sport é responder na Justiça pelo que deve ao jogador (pouco mais de R$ 1 milhão) na tentativa de um acordo. A primeira audiência está marcada no dia 5 de fevereiro, que será realizada na 14ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, do Recife.

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