ROMPIMENTO

Impacto dos rejeitos de Brumadinho no São Francisco deve ser moderado

De acordo com o presidente do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) é apressado dizer que o Velho Chico não será atingido, pelo menos no Alto São Francisco

JC Online
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Publicado em 30/01/2019 às 14:01
Analise
Foto: Divulgação/Ministério da Integração Nacional
De acordo com o presidente do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) é apressado dizer que o Velho Chico não será atingido, pelo menos no Alto São Francisco - FOTO: Foto: Divulgação/Ministério da Integração Nacional
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A pluma (mistura de água e lama) que se espalha após o rompimento da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), não deverá chegar à Usina Três Marias, na região do Alto São Francisco, na forma como tem sido vista ao longo da extensão do Rio Paraopeba. De acordo com o presidente do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, é apressado dizer que o Velho Chico não será impactado, mas o “mar de lama” terá características bem mais moderadas, a priori concentradas na região de 235 km² da Serra da Canastra ao centro-norte de Minas, o Alto São Francisco.

“O impacto não será tão devastador, como é o caso do rio Paraopeba. Pode ser até que o grau de comprometimento da qualidade da água seja bastante absorvível em Três Marias, porque lá há um grande lago. Agora, não posso fazer nenhuma afirmação definitiva. A cada quilômetro, os rejeitos vão se diluindo”, explica Miranda. Ainda segundo ele, a depender do volume de chuvas, o impacto nas águas do Velho Chico serão contornáveis. “É bastante razoável afirmar que, após Três Marias, no Médio e Submédio São Francisco (onde o rio alcança Pernambuco), quando essa águas chegarem, o impacto será até imperceptível, pelo menos em termos de substâncias encontradas, de forma que não causará problemas para usos comuns da água na região. Entretanto, é preciso trabalhar com um cenário otimista e também pessimista”, alerta.

Dispersão

Para o relator especial da ONU para o direito à água e ao saneamento, Leo Heller, em entrevista à ONU News, no caso do Rio São Francisco, ainda não é possível também prever a dimensão exata dos impactos porque o rio tem um caudal volumoso, com maior capacidade de diluição. De acordo com o último boletim do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado ontem, a pluma vinda de Brumadinho está se deslocando em uma velocidade mais baixa (0,35m/s, ou 1,26 km/h) do que a média da velocidade da água (0,25m/s, ou 900 m/h) em alguns dos pontos inspecionados. Em relação à dispersão, os dados de turbidez, medidos à distância de 30km da barragem em Brumadinho, indicavam uma concentração de sedimentos maior do que as informações medidas em outro ponto a 55km da barragem, onde a pluma já chegou.

A notícia de que os rejeitos chegariam a Três Marias gerou corrida para estocagem de água nos municípios da região. Conforme o presidente do CBHSF, ainda não há sinais de risco de comprometimento da vazão no São Francisco, já que os níveis dos demais reservatórios do rio estão num grau de segurança hídrica mais elevado este ano.

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