Oriente Médio

Curdos do Iraque rompem cerco do Estado Islâmico e liberam yazidis

Aproximadamente mil peshmergas dos batalhões Al Zerifani e Dohuk participam desta ofensiva que conseguiu encerrar um cerco jihadista que começou em agosto

Da Folhapress
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Publicado em 19/12/2014 às 13:32
Foto: ARIS MESSINIS / AFP
Aproximadamente mil peshmergas dos batalhões Al Zerifani e Dohuk participam desta ofensiva que conseguiu encerrar um cerco jihadista que começou em agosto - FOTO: Foto: ARIS MESSINIS / AFP
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As forças curdas peshmergas chegaram nesta sexta-feira (19) ao topo do monte Sinjar, no norte do Iraque, após romper o cerco imposto pelos jihadistas da facção Estado Islâmico (EI) à zona, refúgio de milhares de curdos yazidis.

Um diretor do Partido Democrático do Curdistão iraquiano, Mohiedin al Mazuri, disse que as tropas curdas subiram o monte e abriram um corredor seguro para evacuar os civis, mas os combates com os extremistas prosseguem na região.

Sob as ordens do comandante Aziz Wizi, aproximadamente mil peshmergas dos batalhões Al Zerifani e Dohuk participam desta ofensiva que conseguiu encerrar um cerco jihadista que começou em agosto.

Cerca de 50 radicais morreram entre quinta (18) e sexta em combates e também em bombardeios da coalizão internacional em Sinjar, segundo Al Mazuri, que também é chefe de segurança da represa da cidade de Mossul.

A coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, realiza ataques aéreos contra o EI na Síria e no Iraque.

No monte Sinjar continuam refugiadas pessoas de idade avançada que não puderam ser evacuadas em agosto e milhares de yazidis que, devido aos avanços dos jihadistas em outubro, voltaram a buscar proteção na zona.

Amplas zonas de Sinjar foram conquistadas em agosto pelo EI, que assassinou e sequestrou centenas de yazidis, uma minoria de etnia curda e cuja religião se baseia no zoroastrismo.

Dezenas de milhares de yazidis ficaram presos no monte, até que a maioria conseguiu deixar a zona graças à ajuda das forças curdas e dos bombardeios dos Estados Unidos.

Segundo dados da ONU, mais de 500 mil yazidis e membros de outras religiões minoritárias fugiram do norte do Iraque desde junho e centenas foram assassinadas.

Em junho, os extremistas lançaram uma ofensiva relâmpago na província de Ninawa e tomaram o controle de Mossul, ao mesmo tempo em que proclamaram um califado no Iraque e na vizinha Síria.

OPERAÇÃO

O chefe do Conselho de Segurança do Curdistão iraquiano, Masrur Barzani, afirmou na noite de quinta-feira que a operação estava sendo "um sucesso militar e estratégico".

Os peshmergas tomaram o controle da rota que liga Sinjar com a província de Dohuk, na região do Curdistão, permitindo a abertura de um corredor humanitário.

Barzani ressaltou que "a zona ficará completamente limpa" de jihadistas para que os civis que fugiram de suas casas possam retornar, mas pediu paciência para que as bombas e minas colocadas pelo EI sejam retiradas.

O chefe de segurança também enfatizou que, nos últimos dois dias, as tropas curdas conseguiram "liberar" mais de 700 quilômetros quadrados e que os combatentes do EI estão isolados e cercados no oeste de Mossul.

Na quarta-feira (17), os peshmergas começaram a grande operação contra o EI na região de Zamar, também na província de Ninawa, com o objetivo de chegar a Sinjar.

Os peshmergas partiram de Zumar, ao leste de Sinjar, recuperando 700 quilômetros quadrados ao longo de dois dias. Caças dos EUA realizaram 45 ataques em apoio aos combatentes curdos na quarta-feira, além de duas incursões perto de Sinjar.

O impacto dos ataques aéreos ficou evidente na quinta-feira. Em um vilarejo chamado Pequeno Koban, os corpos de cinco militantes jaziam dentro de um vale.

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