Jihad

Estado Islâmico derruba avião jordaniano e captura o piloto

O braço do EI em Raqa, "capital" do grupo extremista que controla amplas áreas no Iraque e na Síria, publicou em páginas da internet imagens de seus combatentes com o refém

Da AFP
Da AFP
Publicado em 24/12/2014 às 19:15
Foto: WELAYAT RAQA / AFP
O braço do EI em Raqa, "capital" do grupo extremista que controla amplas áreas no Iraque e na Síria, publicou em páginas da internet imagens de seus combatentes com o refém - FOTO: Foto: WELAYAT RAQA / AFP
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O grupo Estado Islâmico (EI) derrubou nesta quarta-feira um avião militar jordaniano pertencente à coalizão internacional anti-jihadista no norte da Síria e capturou o piloto. 

A Jordânia confirmou a queda de um de seus aviões "durante uma missão militar executada na manhã desta quarta-feira por vários aviões da Força Aérea contra refúgios da organização terrorista EI na região síria de Raqa", informou uma fonte do comando-geral das Forças Armadas jordanianas citada pela agência Petra.

"Uma de nossas aeronaves caiu e o piloto foi feito refém", informou a fonte.

O piloto seria Maaz al-Kassasbeh, um subtenente de 26 anos, que sobreviveu à queda de sua aeronave, um F-16.

O braço do EI em Raqa, "capital" do grupo extremista que controla amplas áreas no Iraque e na Síria, publicou em páginas da internet imagens de seus combatentes com o refém.  

Uma das fotos mostra o piloto, vestido apenas com uma camisa branca e levado por quatro homens que o tiraram da água. Em outra foto, o piloto é visto em terra, cercado por homens armados.

- Com um míssil terra-ar -

Abaixo da foto da imagem divulgada pelo EI, uma frase afirma que o avião foi derrubado por um míssil terra-ar equipado por um sensor infra-vermelho, que permite detectar forças de calor (no caso, o reator do avião). 

Para Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), o avião foi abatido por um míssil terra-ar, "possivelmente de fabricação russa roubado dos rebeldes". 

Eliot Higgins, especialista no armamento usado no conflito, confirma que o EI possui mísseis de fabricação russa e chinesa, entre os quais o mais utilizado é o Sam-7 russo, carregado no ombro.   

O jovem piloto acabou de sair da escola da Aeronáutica e se casou recentemente, segundo o site jordaniano Saraya.

Seu pai, Yusef al-Kasabeh, afirmou que o almirante da Aeronáutica jordaniana garantiu que o monarca do país comanda pessoalmente os esforços para o resgate de seu filho. 

Nael Mustafah, um militar presente em Raqa, disse à AFP que os jihadistas estão divididos sobre o destino do refém. 

"Os chechenos querem matá-lo, enquanto os iraquianos querem mantê-lo com vida. Há discussões entre eles sobre quem deve dar as ordens", explicou.  

Segundo este militar, a decisão será tomada pelo Conselho Consultivo, uma instância com representação de todas as nacionalidades presentes no EI.

Washington afirmou que não pode indicar se o avião jordaniano foi derrubado por insurgentes ou se uma falha mecânica provocou a sua queda.

"Ainda ignoramos se o avião sofreu uma falha ou se foi atingido por disparos inimigos", disse à AFP uma autoridade americana que pediu anonimato. A fonte confirma, no entanto, que o piloto do avião foi feito prisioneiro. O grupo Estado Islâmico reivindicou o ataque e a captura do piloto.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon expressou sua preocupação com o sequestro do piloto pelo grupo jihadista. Ban condenou a ação e pediu que o EI devolva o prisioneiro. 

"O secretário vê com preocupação as notícias de que o avião jordaniano foi derrubado e de que seu piloto foi feito prisioneiro", afirma um comunicado da ONU. "Ele pede que seus sequestradores tratem o piloto de acordo com as leis humanitárias internacionais", acrescentou. 

Dez pessoas, entre seis crianças, morreram na Síria, ao deixarem Zabdin, cidade controlada pelos rebeldes, no  sudeste de Damasco, informou o OSDH, sem precisar a origem dos disparos.

- No Iraque, 26 mortos em ataque suicida-

A queda do avião acontece três meses após o início dos ataques da coalizão internacional na Síria, e mais de um mês depois do lançamento de uma campanha similar no Iraque. 

Nesta quarta-feira, a coalizão anunciou dez incursões na Síria e sete no Iraque. 

Os Estados Unidos, que dirigem a coalizão, realizaram 85% dos ataques aéreos na Síria, que mataram milhares de jihadistas, de acordo com o OSDH, e obrigaram o EI a recuar na cidade sírio-curda de Kobane, no norte do país. 

Além de Estados Unidos e Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein também participam nos ataques na Síria. Austrália, Bélgica, Reino Unido, Canadá, Dinamarca, França e Holanda fazem parte dos bombardeios no Iraque.

No Iraque, um atentado suicida matou nesta quarta-feira 26 combatentes que lutam contra o grupo Estado Islâmico ao sul de Bagdá, informaram as autoridades.

O ataque, que também deixou 56 feridos, aconteceu perto de uma base militar na região de Madaen, onde membros das milícias anti-jihadistas Sahwa estavam reunidos para receber seus salários. 

Em Kirkuk, (norte), o chefe provincial de contraterrorismo foi morto a tiros quando viajava em um táxi, segundo um oficial e uma fonte médica.

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