Islamismo

Campanha mira grupo anti-islã alemão

Tabloide alemão engajou-se na campanha contra grupo que organizou protestos contra os islâmicos no país

Folhapress
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Publicado em 06/01/2015 às 21:17
ODD ANDERSEN / AFP
Tabloide alemão engajou-se na campanha contra grupo que organizou protestos contra os islâmicos no país - FOTO: ODD ANDERSEN / AFP
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O tabloide mais vendido da Alemanha, o "Bild", engajou-se na campanha contra o Pegida -grupo que organizou uma série de protestos contra a presença de islâmicos no país-, publicando citações de 50 personalidades.


A capa, a segunda e a terceira páginas do jornal foram cobertas por frases de políticos e celebridades alemães com críticas à organização. Mais tarde, outras 30 personalidades se juntaram ao protesto no site do "Bild".

O Pegida (sigla em alemão para Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente) diz defender as "raízes judaico-cristãs" da Alemanha e advoga por leis de asilo mais restritivas, como forma de evitar o crescimento do islamismo no país. O grupo vem organizando protestos no país desde outubro, segundo o "Guardian".

Para Helmut Schmidt, premiê entre 1974 e 1982, o Pegida "apela ao preconceito raso, à xenofobia e à intolerância". "A história alemã e o senso econômico nos dizem que a Alemanha não deve desprezar refugiados e solicitantes", disse ao "Bild".

Oliver Bierhoff, ex-capitão da seleção alemã e hoje seu diretor esportivo, lembrou que o time campeão da Copa de 2014 tinha muitos jogadores de famílias de imigrantes. "O modo como vivemos a integração na seleção alemã também deveria funcionar na sociedade", afirmou.

A chanceler Angela Merkel já havia declarado, em seu discurso de Ano-Novo, que o coração dos manifestantes anti-islâmicos está "cheio de ódio" e que a hostilidade para com os imigrantes "não tem lugar na Alemanha".

Sete ministros do atual governo participaram da campanha do "Bild".

Em julho, o mesmo jornal publicou um texto em que Nicolaus Fest, vice-chefe-de-reportagem, dizia que o islã vinha lhe incomodando cada vez mais, diferentemente do cristianismo, judaísmo ou budismo.

"Estou incomodado pela criminalidade desproporcional entre jovens com origem muçulmana. Estou incomodado com as posturas islâmicas para mulheres e homossexuais." Para Fest, as características do islã o tornavam uma "barreira à integração".

Políticos e leitores do jornal reagiram dizendo que o artigo era racista.

PROTESTOS E REAÇÃO

Em 22 de dezembro, o Pegida levou 17 mil pessoas às ruas de Dresden, no leste do país, causando revolta na sociedade alemã.

Na segunda (5), grupos antifascistas, partidos de esquerda e aliados do governo reuniram 30 mil em atos em nove cidades para tentar ofuscar outra rodada de protestos.

Segundo dados do governo, um em cada cinco habitantes da Alemanha tem origem estrangeira.

Os pedidos de asilo, no país, saltaram de 27 mil, em 2008, para 185 mil, de janeiro a novembro de 2014.

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