Violência

Quênia enterra as vítimas do massacre em universidade

Massacre realizado pelos jihadistas somalis shebab deixou 148 mortos, no ataque mais violento no Quênia desde o executado pela Al-Qaeda contra a embaixada americana em 1998, no qual 213 pessoas morreram

Da AFP
Da AFP
Publicado em 10/04/2015 às 12:21
Foto: AFP
Massacre realizado pelos jihadistas somalis shebab deixou 148 mortos, no ataque mais violento no Quênia desde o executado pela Al-Qaeda contra a embaixada americana em 1998, no qual 213 pessoas morreram - FOTO: Foto: AFP
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Os funerais dos estudantes que morreram no ataque contra a Universidade de Garissa tiveram início nesta sexta-feira, no Quênia, apesar de, mais de uma semana depois do massacre, muitos pais continuarem procurando por seus filhos.

Em Nairóbi, centenas de estudantes se reuniram para se despedir de Angela Nyokabi Githakwa, conhecida como Jojo, que morreu no violento ataque de 2 de abril.

Seu caixão branco com uma cruz dourada será levado para Kiambu, sua cidade natal, localizada 20 km ao norte. Durante todo dia, parentes esperam por uma ligação das autoridades para saber se seus entes queridos foram identificados e assim poder enterrá-los em suas localidades natais.

No necrotério de Nairóbi, 20 caixões vazios esperam pelos corpos que estão em processo de de identificação. No entanto, ainda restam muitas vítimas por identificar, explicou George Williams, funcionário encarregado de entrar em contato com as famílias. Em meio à tanta tristeza e luto, às vezes há uma boa notícia.

"Ontem achamos alguém com vida", contou Williams, citando o caso de uma família que procurou o necrotério, mas ficou sabendo que seu filho estava na casa de amigos, são e salvo.

O massacre realizado pelos jihadistas somalis shebab deixou 148 mortos, no ataque mais violento no Quênia desde o executado pela Al-Qaeda contra a embaixada americana em 1998, no qual 213 pessoas morreram.

Os shebab, vinculados à Al-Qaeda, atacaram durante a madrugada o campus da universidade de Garissa (nordeste), a 150 km da fronteira somali, onde estudam centenas de jovens originários de diferentes regiões.

O ataque, que levou a uma feroz tomada de reféns, durou até a noite, quando as forças governamentais abateram quatro criminosos.

A chacina comoveu o país e os quenianos realizaram manifestações para denunciar a incompetência das autoridades e fazer um apelo em favor da unidade. Seis suspeitos de participação no ataque estão atualmente detidos.

As autoridades quenianas oferecem uma recompensa de cerca de 200.000 euros para a captura daquele que teria planejado o ataque, Mohamed Mohamud, "Kuno", ex-professor queniano de uma escola corânica de Garissa, que juntou-se há vários anos aos islamitas shebabs.

Após o ataque, os islamitas somalis shebab também ameaçaram o Quênia com uma "guerra longa e espantosa".

O exército queniano entrou na Somália em outubro de 2011 para combater os shebab, que multiplicaram seus ataques mortais no Quênia em retaliação. Mais de 400 pessoas foram mortas no Quênia desde meados de 2013, em ataques reivindicados pelos shebabs. Eles ameaçaram o Quênia com uma "longa e terrível guerra" e um novo "banho de sangue".

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