Moratória

Grécia não paga dívida ao FMI e entra oficialmente em calote

Mais cedo, o país tinha pedido ao FMI para adiar o pagamento das parcelas por quatro meses

Da ABr
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Publicado em 30/06/2015 às 20:02
Foto: LOUISA GOULIAMAKI/ AFP
Mais cedo, o país tinha pedido ao FMI para adiar o pagamento das parcelas por quatro meses - FOTO: Foto: LOUISA GOULIAMAKI/ AFP
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Acabou às 19h de Brasília o prazo para a Grécia pagar cerca de 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sem ter quitado a parcela do resgate financeiro, o país entrou oficialmente em calote com os credores internacionais.

Com o calote, a Grécia deixará de ter acesso aos empréstimos do FMI e perde direito de voto no fundo. O não pagamento da dívida pode fazer o país sair da zona do euro, grupo de países que adotam a moeda única.

Mais cedo, o país tinha pedido ao FMI para adiar o pagamento das parcelas por quatro meses. O governo grego recorreu a um mecanismo, usado na década de 1990 pela Nicarágua e pela Guiana, que permite que países beneficiados por linhas de socorro do fundo adiem o pagamento de três a cinco anos, tempo de duração dos empréstimos.

Em nota, o FMI confirmou o não recebimento da parcela e informou que o pedido da Grécia para estender o prazo de pagamento ainda será avaliado. “Informamos nosso Comitê Executivo de que a Grécia está agora em atraso e que só pode receber financiamentos do FMI uma vez que as pendências estejam sanadas. Também confirmamos que o FMI recebeu um pedido das autoridades gregas por uma extensão da obrigação de pagamento que vencia hoje, que ainda irá para discussão do Comitê Executivo”.

Nesta terça-feira (30), os ministros de Finanças da zona do euro recusaram o pedido do governo grego de estender o programa de resgate financeiro. Sem acesso às linhas especiais de crédito, a Grécia não teve dinheiro para pagar a parcela devida ao FMI.

Gastos públicos elevados e descontrole das contas, entre outros motivos, levaram a Grécia à atual situação. Em assistência financeira desde 2010, o país recebeu dois empréstimos dos parceiros europeus e do Fundo Monetário Internacional totalizando 240 bilhões de euros. Em troca, o governo grego comprometeu-se a cumprir duras medidas de austeridade.

Os aumentos de impostos, a redução de benefícios sociais e o corte de gastos públicos puseram a população em um grande aperto financeiro. No início do ano, Alexis Tsipras, líder da legenda radical de esquerda Syriza, venceu as eleições prometendo renegociar a dívida com os credores internacionais e rever a política de austeridade.

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