Liberdade

Palestino-brasileiro é libertado após embaixada pagar fiança

Hishmeh foi detido ao lado de dezenas de outros palestinos no início do mês. As autoridades locais justificaram a ação como uma medida para garantir a estabilidade desse território

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Publicado em 23/07/2015 às 22:25
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Hishmeh foi detido ao lado de dezenas de outros palestinos no início do mês. As autoridades locais justificaram a ação como uma medida para garantir a estabilidade desse território - FOTO: Foto: EBC
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A Autoridade Nacional Palestina libertou nesta quinta-feira (23) o palestino-brasileiro Mohamed Taleb Hishmeh, 33, que estava detido havia 20 dias na região de Betúnia, na Cisjordânia.

O caso, apurado pela Folha de S.Paulo, coincide com a libertação de outro palestino-brasileiro, nesta semana, ainda que os casos tenham ocorrido em contextos distintos.

Hishmeh foi detido ao lado de dezenas de outros palestinos no início do mês. As autoridades locais justificaram a ação como uma medida para garantir a estabilidade desse território.

O governo da Cisjordânia, dominado pela facção palestina Fatah, afirma que simpatizantes do Hamas -seu grupo rival- planejavam ações para criar desordem ali.

Ambos os grupos vivem hoje um período de tensão política que parece ameaçar as tentativas recentes de unidade, incluindo o projeto em 2014 de um governo unindo ambos os grupos.

À Folha de S.Paulo Hishmeh afirmou, por telefone, não entender sua detenção. "Eu não sei o que eu fiz para eles", diz o carpinteiro.

Hishmeh nasceu na cidade de Ramallah, na Cisjordânia. Seu pai, morto há quatro anos, era natural de Pato Branco, no sudoeste de Paraná.

Sua saída da prisão foi autorizada pelo governo palestino mediante o pagamento de cerca de R$ 2.300, valor adiantado pela representação diplomática brasileira.

Procurado pela reportagem, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou em nota ter feito gestão junto ao Ministério da Justiça palestino pela libertação de Hishmeh.

O carpinteiro, que sustenta o filho de quatro meses e um irmão com deficiência mental, diz não seguir qualquer orientação política.

Hishmeh conta, porém, ter tido contato com membros de diversas facções palestinas durante o período em que esteve detido por Israel, entre seus 19 e 24 anos -acusado, à época, de participar de atos contrários às autoridades israelenses, diz o carpinteiro. Ele afirma que a acusação foi injustificada.

"Nossa vida, na prisão, era para todos. Havia gente que apoiava o Hamas e outros grupos. É normal ter amigos. Converso com todos", afirma Hishmeh.

"Mas não entendo porque os palestinos me prenderam. Somos irmãos. Somos um mesmo povo."

RIVALIDADE

As facções Fatah e Hamas, no entanto, disputam o poder há uma década. Hoje, Fatah controla a Cisjordânia, e o Hamas, a faixa de Gaza.

Em períodos de maior tensão, há casos de prisões em ambos os lados, como a recente detenção de Hishmeh. Quando os detentos são logo soltos, as prisões são entendidas ali como jogo político.

A família de outro palestino-brasileiro, Islam Hamed, 30, afirma que ele foi também vítima dessas crises políticas. Hamed, solto nesta semana, apoia o Hamas.

Ele estava detido pela Autoridade Nacional Palestina desde 2010 mesmo com o fim de sua sentença, em 2013, e foi libertado após mais de cem dias de greve de fome. Segundo sua mãe, Nadia Hamed, ele perdeu 30 quilos. Ele está atualmente desaparecido, após a soltura.

A reportagem procurou o governo palestino em busca de informações sobre Hishmeh e Hamed. Adnan al-Dmairi, porta-voz das forças de segurança, afirmou no entanto não ter informações sobre esses dois casos.

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