Imigração

Dinamarca e Hungria rejeitam a política de acolhida de migrantes da Alemanha

A Alemanha, país líder de uma política de portas abertas, anunciou nesta quinta-feira que 450.000 refugiados foram registrados no país durante o ano

Da AFP
Da AFP
Publicado em 10/09/2015 às 12:10
Foto: CLAUS FISKER / SCANPIX DENMARK / AFP
A Alemanha, país líder de uma política de portas abertas, anunciou nesta quinta-feira que 450.000 refugiados foram registrados no país durante o ano - FOTO: Foto: CLAUS FISKER / SCANPIX DENMARK / AFP
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A Dinamarca, que suspendeu temporariamente o tráfego de trens com a Alemanha, e a Hungria, disposta a enviar tropas a suas fronteiras, ilustram a rejeição à política de acolhida que Berlim pede na Europa, diante da chegada de dezenas de milhares de refugiados.

A Alemanha, país líder de uma política de portas abertas, anunciou nesta quinta-feira (10) que 450.000 refugiados foram registrados no país durante o ano, 37.000 dos quais na primeira semana de setembro.

"Isso mostra, francamente, que a divisão de 160.000 refugiados na Europa é apenas um primeiro passo, para dizer de forma suave. Também podemos dizer: uma gota d'água no oceano", afirmou o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel.

A Alemanha espera acolher 800.000 solicitantes de asilo em 2015, quatro vezes mais que no ano anterior, e um número recorde na Europa.

A Comissão Europeia propôs na quarta-feira um plano para dividir 160.000 pessoas, mas Berlim pede um sistema de quotas sem limites para colocar refugiados nos países da UE, e enfrentar, assim, a pior crise migratória em sete décadas.

Este sistema de divisão é criticado por muitos países europeus, e entre os reticentes aparece a Dinamarca, que tenta frear a chegada de novos migrantes em trânsito à Suécia, um país onde, por sua vez, os refugiados são bem-vindos.

A Dinamarca suspendeu na quarta-feira os trens com a Alemanha, mas nesta quinta-feira anunciou que o tráfego seria retomado progressivamente através da fronteira terrestre em Padborg.

A polícia dinamarquesa declarou que permitirá a passagem pela Dinamarca dos refugiados que já estão em seu território e não desejam permanecer ali.

Enquanto isso, mais a leste, em Rodby, centenas de refugiados que chegaram da Alemanha por trem começaram a deixar a cidade por diferentes meios de transporte. Tentam, em sua maioria, alcançar a Suécia.

 

Audácia e humanidade

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, havia pedido na quarta-feira aos europeus audácia e humanidade ao solicitar a eles que entrassem em acordo para dividir 160.000 refugiados.

A proposta foi bem recebida por França e Alemanha, mas está muito longe de gerar unanimidade, e provoca inclusive rejeição.

É o caso da Hungria, que se nega a participar deste esforço. O exército húngaro realiza manobras militares no sul do país para se preparar para uma eventual missão de controle de fronteiras, após a entrada em vigor de novas leis anti-imigrantes.

A Romênia também se opõe ao sistema de cotas, segundo anunciou nesta quinta-feira o presidente Klaus Iohannis.

"Não consideramos que seja uma solução ou que seja oportuno falar de cotas obrigatórias, calculadas de maneira muito burocrática (...)  A questão trata de seres humanos e não de peças que devem ser calculadas", enfatizou.

Neste contexto, 5.000 migrantes, muitos deles refugiados que fogem dos conflitos no Oriente Médio, chegaram nas últimas 24 horas à fronteira entre Sérvia e Hungria, um número recorde, indicou nesta quinta-feira a televisão estatal sérvia (RTS).

Segundo a RTS, 3.300 migrantes já atravessaram a fronteira com a Hungria, que instalou uma controversa cerca ao longo de seus 175 km de fronteira com a Sérvia, sem que isso tenha detido o fluxo de migrantes. Uma segunda cerca, de quatro metros de altura, está em construção.

No entanto, ao norte, mais de 3.000 pessoas chegaram à Áustria na madrugada desta quinta-feira a partir da Hungria.

No sábado e no domingo 15.000 pessoas já haviam entrado na Áustria, assim como fizeram outras milhares nos últimos dias. Apenas algumas ficarão no país, a maioria seguirá sua viagem, principalmente à Alemanha.

No último fim de semana, a Áustria decidiu permitir que os migrantes entrassem no país livremente para tentar aliviar a situação na Hungria, onde um total de 50.000 migrantes chegaram em agosto.

No Mediterrâneo, milhares de migrantes e refugiados continuam chegando à Grécia - país da União Europeia - a partir da Turquia. Convertida no local emblemático deste êxodo, a pequena ilha grega de Lesbos já recebeu até 20.000 candidatos ao exílio, o equivalente a um quarto de sua população.

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