TERRORISMO

Estado Islâmico pode perder Raqqa, Aleppo e Deir ez-Zor

O poder real do grupo, assim como o território que eles ocupam, pode ser menor do que o alegado

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Publicado em 14/06/2016 às 12:30
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O poder real do grupo, assim como o território que eles ocupam, pode ser menor do que o alegado - FOTO: Foto: AFP
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O califado de terror que vai do Norte do Iraque ao Leste da Síria, abrangendo grandes cidades, campos de petróleo e a região-chave na fronteira permanece sob o controle da organização terrorista Daesh (acrônimo árabe para Estado Islâmico). Porém, o poder real do grupo, assim como o território que eles ocupam pode ser menor do que o alegado.

"A maior parte do território controlado representa um deserto", diz o relatório da Stratfor, preparado pelo analista Omar Lamrani. "Se olharmos nas áreas principais que o grupo ocupa na Síria – no norte da província de Aleppo, Raqqa e Deir ez-Zor – podemos constatar, que [os terroristas] continuam perdendo terrenos do seu autoproclamado império".

Norte de Aleppo

A província síria de Aleppo é extremamente importante para a sobrevivência do Daesh, pois o grupo depende muito de novos militantes, fornecimento de armas e munições, que vêm da Turquia. A maior parte destas vias tem sido cortadas pelos curdos. As poucas que permanecem sob controle dos jihadistas devem ser liberados em pouco tempo.

Também fica nesta região a aldeia de Dabiq que, de acordo com as convicções do Daesh, será o local do combate final do apocalipse.

No Norte do Aleppo, o Estado Islâmico está sendo pressionado de três lados. As Forças Armadas da Síria, com apoio da aviação russa e dos aliados na região, atacam do sul. As Forças Democráticas da Síria (FDS) apoiadas pelos EUA, avançam pelo oeste atravessando o Rio Eufrates, enquanto os rebeldes da cidade de Azaz atacam do leste. Além disso, a Turquia bombardeia as regiões na fronteira norte.

"Mas tem ainda mais uma ofensiva se desenrolando, que, se for bem-sucedida, vai apresentar uma ameaça vital ao [domínio do Daesh] no norte de Aleppo, pois separaria completamente esta região das outras partes do território sírio", diz o analista ao se referir ao ataque à Tabqa, no lago Assad, na província de Raqqa.

Caso esta operação tenha sucesso, o caminho que liga a capital dos terroristas, Raqqa, ao norte da província de Aleppo será cortado.

Capital do Daesh – Raqqa

As Forças Democráticas da Síria e o Exército Árabe da Síria estão avançando no sentido de Raqqa. Os analistas descrevem esse avanço como ‘ordenado’, porém limitado pelas necessidades de treinar novos combatentes das FDS. Entretanto, eles não têm dúvida que a cidade será liberada.

A queda de Raqqa representará uma vitória simbólica sobre o grupo terrorista.

A cidade não é somente considerada a capital do império do Daesh, é "um terminal importante de pessoas e fornecimentos", explicam os analistas. "Raqqa está situada nas margens do Rio Eufrates, é um núcleo imprescindível de controle de várias estradas na Síria, além de ser uma das maiores e mais habitadas cidades controladas pelo Daesh e um centro econômico importante, superado somente por Mosul, no Iraque".

Deir ez-Zor e o petróleo

Diferentemente de Aleppo e Raqqa, os territórios de Deir ez-Zor dominados pelo Daesh não estão ameaçados no momento atual. "A cidade está sendo disputada entre jihadistas e forças governamentais, mas os militantes controlam plenamente o resto da província", observam os analistas.

No entanto, a perda de controle de Deir ez-Zor representará um forte choque para o grupo terrorista, pois é a última fonte de petróleo do Daesh e uma “porta” para o Iraque.

As forças governamentais e as Forças Democráticas da Síria não consideram a liberação da região uma prioridade, porém o Exército sírio tem como utilizar seu sucesso anterior em Palmira para preparar um ataque nesta província.

A Jordânia, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, no entanto, criaram na região uma nova força anti-Daesh, conhecida como Novo Exército Sírio.

Apesar disto, o grupo terrorista mantém a combatividade e a possibilidade de se adaptar à evolução da situação. Como os jihadistas estão perdendo cada vez mais suas capacidades convencionais, passarão, de novo, a causar o caos na região por meio de ações isoladas.

"Em vez de se concentrarem no controle do território, o grupo retornará aos métodos de guerrilha para obter mais flexibilidade e mobilidade para atacar e enfraquecer seus inimigos", dizem os analistas.

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