SÍRIA

Pai de Aylan lamenta passividade do mundo ante refugiados mortos no mar

A foto de Aylan morto numa praia chocou o mundo, mas o pai não lamenta, ele acredita que coisas assim tem que ser mostradas para saberem o que se passa com os refugiados

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Publicado em 01/09/2016 às 8:34
Foto: Agência Dogan News/ AFP
A foto de Aylan morto numa praia chocou o mundo, mas o pai não lamenta, ele acredita que coisas assim tem que ser mostradas para saberem o que se passa com os refugiados - FOTO: Foto: Agência Dogan News/ AFP
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O pai do pequeno Aylan Kurdi, cuja morte no ano passado comoveu todo o planeta, lamentou nesta quarta-feira que refugiados continuam morrendo no mar, mas ninguém faz nada, em uma entrevista ao jornal alemão Bild.

"Depois da morte da minha família, os políticos afirmaram: 'Nunca mais'", recorda Abdullah Kurdi, que além de Aylan, de 3 anos, perdeu a mulher Rehab, de 35 anos, e o filho mais velho Galip, de 5 anos, afogados na costa turca depois do naufrágio de sua embarcação.

"Todos queriam fazer algo depois da foto que tanto comoveu", disse o homem de 41 anos, ao recordar a imagem do filho morto na praia de Bodrum.

"Mas o que acontece agora? As mortes continuam e ninguém faz nada", completou Abdullah Kurdi, cuja família está enterrada em Kobane, uma cidade síria próxima da fronteira com a Turquia.

Ele não lamenta, no entanto, a divulgação da foto do filho mais novo, por considera que "uma coisa assim deve ser mostrada para que as pessoas vejam claramente o que acontece". 

"O horror na Síria tem que terminar. As tragédias do exílio também", completou.

Morando atualmente em Erbil, no Curdistão iraquiano, o pai de Aylan e de Galip sente que está mais seguro do que antes, mas "para fazer o que", ele questiona.

SITUAÇÃO GRAVE

As crianças são o símbolo da gravidade da situação na Síria. Recentemente, um vídeo de um menino sírio de cinco anos sendo retirado de escombros na Síria comoveu o mundo. É possível ver o pequeno Omran Daqneesh coberto de poeira e ensanguentado. Ele parece cansado e atordoado, sem entender a situação. Ele coloca a mão na cabeça e percebe o sangue no rosto, mas não chora.

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