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Os cinco turbulentos anos da Venezuela de Maduro

Entre protestos, crise econômica e autoritarismo, Nicolás Maduro tenta a reeleição para presidência da Venezuela neste domingo (20)

Maria Luisa Ferro
Maria Luisa Ferro
Publicado em 20/05/2018 às 13:56
JUAN BARRETO / AFP
Entre protestos, crise econômica e autoritarismo, Nicolás Maduro tenta a reeleição para presidência da Venezuela neste domingo (20) - FOTO: JUAN BARRETO / AFP
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Protestos violentos, choque de forças, colapso econômico, diálogos fracassados: a Venezuela viveu cinco anos turbulentos sob a presidência de Nicolás Maduro, que busca a reeleição nas eleições deste domingo. Veja os principais momentos deste período em que o país sofreu uma de suas piores crises:

2013: O herdeiro  

O líder socialista Hugo Chávez, presidente desde 1999 e fundador da "revolução bolivariana", morre de câncer em 5 de março de 2013. Maduro, ungido por Chávez como seu substituto, vence as eleições presidenciais de 14 de abril com 50,62% de votos, contra o opositor Henrique Capriles.

2014: O primeiro desafio 

Em 2014, liderada por Leopoldo López, a oposição realizou manifestações para reivindicar a saída de Maduro, com saldo de 43 mortos. Lopez é preso em fevereiro daquele ano e condenado em 2015 a quase 14 anos de prisão, acusado de incitar a violência nos protestos. Em agosto de 2017, ele foi colocado em prisão domiciliar.

Os preços do petróleo, que geram 96% da renda do país, caíram para menos da metade, agravando uma grave escassez de alimentos e remédios.

2015: A maior derrota 

Em fevereiro de 2015, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspirar contra o governo, é preso. Pouco tempo depois ele vai para a prisão domiciliar e em 2017 foge para a Espanha. Em março, Washington impõe as primeiras sanções contra autoridades venezuelanas acusadas de violar os direitos humanos.

Em dezembro, em meio ao agravamento da crise, a coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) derrota o chavismo, conquistando a maioria qualificada do Parlamento.

2016: Choque de poderes 

Tão logo a oposição toma posse  em janeiro, o Legislativo é declarado em desacato e suas decisões nulas pelo Supremo Tribunal de Justiça (TSJ). Durante a maior parte de 2016, a oposição tentou revogar o mandato de Maduro - de seis anos - por meio de um referendo, e organizou manifestações para exigi-lo. Mas o poder eleitoral e a justiça - acusados pela oposição de servir a Maduro - o detiveram, alegando fraude na coleta de assinaturas.

2017: Protestos e Constituinte 

O TSJ atribui a si poderes do Parlamento e em 1 de abril têm início protestos que deixaram cerca de 125 mortos em quatro meses. A procuradora-geral Luisa Ortega denuncia uma ruptura da ordem constitucional e meses depois deixa o país denunciando "perseguição". No dia 30 de julho, acontece eleição de uma Assembleia Constituinte com poder absoluto e totalmente oficialista, que substituiu o Parlamento na prática e não é reconhecida por vários governos.

Os Estados Unidos aprovam sanções econômicas contra a Venezuela e a estatal petrolífera PDVSA, mais tarde declarados em default parcial. O chavismo vence as eleições para governadores de outubro e as municipais de dezembro. A oposição denuncia fraudes.

2018: Eleições antecipadas 

Diante de uma oposição dividida, a Assembleia Constituinte decide em janeiro adiantar as eleições presidenciais e Maduro é proclamado candidato do partido no poder. Um diálogo entre a oposição e o governo sobre as garantias eleitorais fracassa e o poder eleitoral fixa as eleições para 22 de abril, data que foi posteriormente alterada para 20 de maio.

A MUD decide boicotar a votação, argumentando se tratar de uma "fraude" para perpetuar Maduro no poder e dar-lhe "aparência de legitimidade". O opositor Henri Falcón, dissidente do chavismo, deixa a coalizão de oposição e lança sua candidatura. Os Estados Unidos, vários países da América Latina e da União Europeia, advertem que não vão reconhecer as eleições porque não serão livres nem justas.

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