TENSÃO

Trump volta a ameaçar o Irã

O presidente disse que o Irã cometerá ''um grande erro'' se fizer ''qualquer coisa'', em um contexto que Washington acusa Teerã de preparar ''ataques'' contra os alvos americanos no Oriente Médio

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 13/05/2019 às 18:09
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Foto: MARK WILSON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
O presidente disse que o Irã cometerá ''um grande erro'' se fizer ''qualquer coisa'', em um contexto que Washington acusa Teerã de preparar ''ataques'' contra os alvos americanos no Oriente Médio - FOTO: Foto: MARK WILSON / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira (13), que o Irã cometerá "um grande erro", se fizer "qualquer coisa", em um contexto em que Washington acusa Teerã de preparar "ataques" contra os alvos americanos no Oriente Médio.

"Se fizerem qualquer coisa, sofrerão muito", afirmou Trump, durante um encontro com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, na Casa Branca.

"Vamos vermos o que vai acontecer com o Irã", acrescentou, prevendo "um grande problema" para Teerã "se algo acontecer". "Não ficarão felizes", insistiu. 

O governo dos Estados Unidos vem declarando há mais de uma semana que as autoridades iranianas ou seus aliados no Oriente Médio estão preparando "ataques iminentes" contra alvos americanos. Washington enviou um  porta-aviões, um navio de guerra, aviões bombardeiros B-52 e uma bateria de mísseis Patriot para a região para enfrentar as supostas ameaças. 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, fez uma visita improvisada a Bruxelas nesta segunda-feira para compartilhar informação confidencial sobre este assunto com os chanceleres europeus. 

"Acreditamos que o Irã deveria seguir o caminho da negociação em vez das ameaças, e adotou uma posição equivocada ao enveredar pelas ameaças", disse o enviado dos Estados Unidos ao Irã, Brian Hook. 

Trump disse na semana passada que estava pronto para manter um diálogo com os líderes iranianos para alcançar um novo acordo, após a retirada dos Estados Unidos do tratado nuclear de 2015 há um ano.

Europa adverte contra escalada militar

Após o encontro com Pompeo, os representantes europeus expressaram preocupação sobre uma escalada da tensão entre Washington e Teerã e advertiram o secretário de Estado americano sobre o risco de um conflito "por acidente" no Golfo.

"Deixe claro [para Mike Pompeo] mais uma vez que nos preocupa o desenvolvimento e as tensões na região, que não queremos uma escalada militar", disse o ministro de Exteriores alemão, Heiko Maas, após o encontro com o representante americano.

A caminho da Rússia, onde deve se reunir nesta terça com o presidente russo, Vladimir Putin, e o chanceler, Serguéi Lavrov, em Sochi, Pompeo decidiu fazer uma escala em Bruxelas para falar com os ministros europeus.

Além do encontro com Maas, o americano se reuniu também com os chanceleres da França, Jean-Yves Le Drian, da Grã-Bretanha, Jeremy Hunt, ambos países signatários do acordo nuclear iraniano de 2015.

Teerã anunciou na semana passada a suspensão de parte de seus compromissos estabelecidos no acordo nuclear e pediu aos europeus para retirar dentro de 60 dias os setores petroleiro e bancário iraniano do isolamento causado pelas sanções americanas.

Caso não seja atendido, o Irã ameaça renunciar a outras restrições impostas a seu programa nuclear. Os países europeus refutaram este ultimato e defendem suas ações para manter o compromisso.

O chanceler espanhol, Josep Borrell, anunciou nesta segunda que a Espanha estuda aderir a este mecanismo idealizado para contornar as sanções dos Estados Unidos e possibilitar que "as empresas europeias continuem trabalhando com o Irã".

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que também conversou com Pompeo, afirmou que até o momento os iranianos "respeitaram seus compromissos" e anunciou as primeiras transações com sistema financeiro do Irã "nas próximas semanas".

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