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Ataque letal marca início da campanha eleitoral afegã

O primeiro-ministro Abdul Salam Rahimi afirmou que o saldo é de nove mortos e 25 feridos

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Publicado em 28/07/2019 às 20:40
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O primeiro-ministro Abdul Salam Rahimi afirmou que o saldo é de nove mortos e 25 feridos - FOTO: STR / AFP
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Um grupo insurgente atacou, neste domingo (28), em Cabul, os escritórios do candidato da situação a primeiro-vice-presidente, no primeiro dia da campanha eleitoral, deixando pelo menos nove mortos e 25 feridos - informou o porta-voz do Ministério da Saúde, Wahidullah Mayar.

O ataque aconteceu horas depois de o presidente Ashraf Ghani, candidato à reeleição, garantir que "a paz está chegando" e se referir à realização de conversas cruciais com os talibãs.

A ofensiva começou às 16h40 locais (9h10 em Brasília), quando foi registrada uma forte explosão perto do QG da Green Trend, uma organização da sociedade civil voltada para os jovens e fundada pelo candidato a primeiro-vice-presidente Amrullah Saleh. Ele saiu ileso.

Na sequência, um grupo de homens iniciou a segunda fase do ataque. Eles invadiram o prédio, atirando. 

Após seis horas de luta, dois agressores foram abatidos, informou o Ministério do Interior. Nenhum grupo insurgente - nem os talibãs, nem o braço afegão do Estado Islâmico (EI) - reivindicou o ato até a noite de domingo.

O primeiro-ministro Abdul Salam Rahimi detalhou que o saldo é de nove mortos e 25 feridos

"As forças de segurança cercaram a zona e tentam abater os agressores", disse o porta-voz do Ministério do Interior, Nasrat Rahimi.

Com a participação de 18 candidatos, incluindo o atual presidente, as eleições tiveram de ser adiadas duas vezes e agora estão previstas para 28 de setembro. A campanha eleitoral é um grande desafio para as forças de segurança.

O principal rival de Ghani é Abdullah Abdullah, seu chefe de gabinete, no âmbito de um frágil acordo de distribuição de poder negociado pelos Estados Unidos após as eleições de 2014.

"É nosso dever nacional e religioso aproveitar as oportunidades de paz", afirmou Abdullah em um comício.

No sábado, o ministro da Pacificação, Abdul Salam Rahimi, disse que as negociações diretas com os talibãs acontecem dentro de duas semanas.

Essas conversas são cruciais, já que os talibãs controlam, ou têm influência sobre, metade do território afegão. Até agora, vinham-se negando a dialogar com o governo, acusando-o de "marionete" dos EUA.

Outros problemas

Além da guerra, o país enfrenta muitos outros problemas, como o forte aumento da criminalidade, uma economia estagnada, o aumento do desemprego e infraestruturas em ruínas.

Também está presente o risco de ocorrência de ataques contra as seções eleitorais, como os talibãs e outros grupos já fizeram no passado, o que contribui para minar a instável democracia afegã.

O presidente Ghani insiste em que a eleição deste ano será "limpa", mas a desconfiança da população permanece.

O estudante Sayed Jan, de 27 anos, decidiu não votar. Ele alega ter perdido a fé nas eleições de 2014, marcada por denúncias de fraude.

"Fomos traídos pelos candidatos no passado. Não podemos confiar neles desta vez", disse o jovem à AFP.

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