HOLOFOTES NA ELEIÇÃO

Jornais europeus tentam 'decifrar' eleição brasileira

Os holofotes da imprensa internacional apontam especialmente para Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto

Bianca Sousa
Bianca Sousa
Publicado em 06/10/2018 às 8:24
Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Os holofotes da imprensa internacional apontam especialmente para Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto - FOTO: Foto: Diego Nigro/JC Imagem
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A polarização da eleição no Brasil tem chamado a atenção da imprensa estrangeira na reta final da campanha eleitoral. As publicações apontam os holofotes especialmente para Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto, e tentam explicar seu crescimento entre o eleitorado do País - no último Ibope/Estado/TV Globo, o capitão reformado aparece com 32% das intenções de voto.

Em editorial publicado nesta sexta-feira (5), o jornal britânico The Guardian afirma que Bolsonaro é um risco à democracia brasileira e que compará-lo ao presidente americano, Donald Trump, seria "bondade demais".

"Ele elogia torturadores e a ditadura militar. Ele defendeu recentemente que seus opositores fossem fuzilados. Sua intolerância é retratada como 'honestidade'", aponta o jornal.

O periódico britânico se junta a dezenas de outras publicações que tentam traduzir - e decifrar - a campanha presidencial brasileira. A lista inclui jornais de Alemanha, Argentina, África do Sul, Áustria, Austrália, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Índia, Itália, México, Moçambique, Peru, Portugal, Polônia, Catar, Reino Unido e Suíça.

No Reino Unido, a revista The Economist publicou, há duas semanas, reportagem de capa sobre Bolsonaro na qual o considera "um risco para a América Latina". Outros jornais do país, como o conservador The Times, também perfilaram o presidenciável do PSL

Críticas

Jornais franceses também dedicaram artigos críticos ao capitão reformado. O Le Figaro diz que a campanha do deputado federal seduz um a cada cinco brasileiros, cansados da corrupção na política, da violência nas ruas e da interminável crise econômica com desemprego em massa. A publicação ainda afirma que Bolsonaro gosta de se comparar a Donald Trump e que nunca brilhou, "nem no quartel nem na Câmara dos Deputados", a não ser por provocações e discursos preconceituosos.

O Le Monde coloca Bolsonaro como um "patriota" que ganhou atenção defendendo Deus, a família e falando da ditadura militar de 1964. O jornal francês ainda critica a carreira política do líder nas pesquisas.

O Libération também aponta o desânimo da população com os casos recentes de corrupção pelo crescimento de Bolsonaro entre o eleitorado do País. "Racista, homofóbico e sexista, este capitão nostálgico da ditadura tira proveito do descrédito que pesa sobre a classe política brasileira." Para o periódico, Bolsonaro pode liquidar a democracia, se for eleito.

O jornal ainda diz que o candidato do PSL quadruplicou suas intenções de votos nos últimos dez anos alimentando-se do ódio de determinadas camadas da população ao PT. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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