Eduardo Campos

Bombeiros localizam cabine de avião de Eduardo e restos mortais de todos os acidentados

Equipe da Polícia Federal com quatro peritos chegou para ajudar na análise dos corpos das vítimas do acidente

Do JC Online
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Publicado em 14/08/2014 às 9:26
Foto: JC Imagem
Equipe da Polícia Federal com quatro peritos chegou para ajudar na análise dos corpos das vítimas do acidente - FOTO: Foto: JC Imagem
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Os 39 bombeiros que passaram a madrugada desta quinta-feira, 14, no local do acidente que matou o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, e outras seis pessoas no Boqueirão, em Santos, chegaram a fazer escavações manuais para tentar localizar restos mortais das vítimas. Sob chuva forte, frio de 11°C e com pequenas lanternas em mãos, os bombeiros conseguiram entrar por volta das 5 horas na cratera onde estava a cabine e quatro poltronas da aeronave. Ali estavam os maiores pedaços de corpos das vítimas e a carteira pertencente ao candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos. "O trabalho inicial já foi encerrado", disse o perito Antonio Nogueira do Instituto de Criminalística, em rápida entrevista a jornalistas no local do acidente, em um bairro central da cidade da Baixada Santista. 

De acordo com o perito, os agentes que estão no local farão ainda uma última varredura, mas disse acreditar que o trabalho deverá se concentrar, a partir de agora, na identificação das vítimas e das peças e na análise dos dados das caixas-pretas que podem apontar as causas da queda do avião Cessna 560XL, prefixo PR-AFA. "Vamos trabalhar em conjunto com a Polícia Federal e a Aeronáutica", afirmou o perito, a respeito do trabalho do Instituto de Criminalística no caso.

Nesta manhã, após mais de 20 horas de trabalho, alguns bombeiros chegaram a ficar emocionados com a proximidade do final dos trabalhos. Na equipe de resgate, até os profissionais mais experientes, que já participaram de buscas após tragédias como a explosão do Osasco Plaza Shopping, em 1996 ou no acidente da estação Pinheiros do Metrô, em 2006, contaram que o trabalho de resgate feito na madrugada em Santos foi o mais difícil já feito.

"Muitas vezes, durante a madrugada, paramos de usar a retroescavadeira quando achávamos algum pedaço da aeronave onde poderia estar algum corpo. Por isso a gente fazia a escavação com pazinhas mesmo, para não fragmentar ainda mais esses restos mortais", relatou Cassio Roberto Armani, comandante dos Bombeiros do interior paulista. "O mais difícil era o cheiro insuportável de querosene e sangue coagulado, a falta de luz. Nunca passei por um trabalho tão exaustivo em mais de 30 anos", acrescentou o comandante. 

O capitão do Corpo de Bombeiros, Marco Etalum, relatou que havia a esperança de que houvessem partes identificáveis de corpo humano. Armani explicou que nenhum corpo foi encontrado intacto. Além das partes de vítimas que estavam na cabine, os bombeiros localizaram restos mortais nos telhados das casas próximas do acidente e dentro do canal 3, ao lado da Avenida Washington Luis a 100 metros do local do acidente. A carteira com os documentos do ex-governador de Pernambuco foi localizada por volta das 5h10.

Por volta da 1h o dentista de Eduardo Campos deixou o IML. Ele trouxe um molde da arcada dentária do ex-governador de Pernambuco. Uma equipe da Polícia Federal com quatro peritos chegou por volta das 7h40 ao Instituto Médico Legal Central, na capital, para ajudar na análise dos corpos das vítimas do acidente. Até as 8 horas, ele não havia retornado. A identificação dos corpos está sendo realizada na capital paulista pois, segundo Nogueira, lá existe um laboratório de análise por DNA. "Nesse tipo de identificação é preciso exame de DNA", afirmou. Ele disse ainda que uma ambulância com mais vestígios das vítimas saiu do local do acidente em Santos para São Paulo durante a madrugada desta quinta-feira.

De acordo com Nogueira, não há prazo para que os órgãos cheguem a respostas sobre a queda do avião que transportava Eduardo. "O (acidente) da TAM demorou mais de 20 meses", disse, ao lembrar da investigação sobre as causas do acidente com uma aeronave da companhia aérea brasileira no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 2007. Segundo o perito, peças terão de ser enviadas ao exterior para análise dos fabricantes.

Investigações

Além dos bombeiros, peritos do Cenipa 4 e da Polícia Federal também passaram a madrugada ouvindo depoimentos de moradores e pegando fragmentos da aeronave e do solo da cratera onde estava encravada a parte da cabine da aeronave. As turbinas e a caixa preta já estão sob análise de agentes da Aeronáutica.

"Pela forma como a aeronave caiu, de bico, na forma vertical, é um indício de que pode ter ocorrido algum problema com a aeronave ainda no ar, pois ela não estava 'plainando' no momento da queda. Como algumas pessoas relataram que a turbina também já estava pegando fogo no ar, e ela caiu na vertical, são grandes as possibilidades de algum problema mecânico ou pane ter ocorrido no jato antes da queda", afirmou ao jornal "O Estado de S. Paulo" um perito do Cenipa que estava no local do acidente na madrugada. Por se tratar de um candidato à Presidência, a PF também instaurou um inquérito para investigar as causas de morte.

Nesta manhã, os órgãos envolvidos no resgate vão fazer uma reunião para decidir como será o isolamento da região do acidente. Ao todo 13 imóveis estão interditados e cerca de 50 pessoas foram alojadas em casas de parentes e amigos. Aos moradores, a Defesa Civil de Santos ainda não deu um prazo para os peritos analisarem os imóveis, que serão liberados ou não.

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