indústria

Mercadante prevê recessão e desemprego sem mudanças no superavit

O ministro também agradeceu a aprovação do projeto que afrouxa o controle do cumprimento da meta de economia do governo para abatimento de juros da dívida

Da Folha Press
Cadastrado por
Da Folha Press
Publicado em 19/11/2014 às 15:13
Foto: ABr
O ministro também agradeceu a aprovação do projeto que afrouxa o controle do cumprimento da meta de economia do governo para abatimento de juros da dívida - FOTO: Foto: ABr
Leitura:

O ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, agradeceu nesta quarta-feira (19) à Comissão Mista de Orçamento do Congresso pela aprovação do projeto que afrouxa o controle do cumprimento da meta de economia do governo para abatimento de juros da dívida - o chamado superavit primário.

Durante evento no Palácio do Planalto nesta manhã sobre produtividade e competitividade da indústria brasileira, Mercadante apresentou um cenário catastrófico caso o plenário do Congresso, para onde segue o projeto, não aprove a matéria.

"Se o Congresso não aprovar essa flexibilização, o que nos resta é parar investimentos e entregar o superavit, mas com recessão e desemprego. Empresas não pagariam o 13º aos funcionários", disse.

Depois de uma sessão conturbada, que durou mais de oito horas, a comissão votou o texto, à revelia da oposição, que tentou várias manobras para obstruir a votação. A oposição deve pedir a anulação da votação ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Mercadante afirmou que o governo precisou "flexibilizar" o superavit por ter feito esforços para conter os efeitos da crise econômica, fazendo desonerações, investimentos e gastos com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

"Como fomos muito ampliados do ponto de fiscal ao longo da crise, estamos projetando um quadro da estabilização da divida pública, acelerando investimento e desonerando a economia e flexibilizando nosso superavit primário, que continua sendo objetivo fundamental no ano que vem."

Ele afirmou que o governo terá de fazer ajuste fiscal sim no próximo ano, e que sempre tem gasto para cortar. "Precisamos aumentar a eficiência do Estado brasileiro, fazer mais com menos. Mas tivemos que tomar essa decisão (de flexibilizar o superavit)."

INVESTIDORES - O empresário Jorge Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade (órgão consultivo ligada ao governo), afirmou que a manobra fiscal executada pelo governo pode ser feita num ano, mas não pode virar um "modo de trabalhar", o que afastaria investimentos.

"É indiscutível, se olhar o cenário mundial, há riscos de acontecer esse tipo de problema. Mas o mercado financeiro tem muitas opções no mundo e ele vai se alocar onde o risco e a rentabilidade se conjuguem da melhor forma."

"Precisamos do investimento internacional para atender essa lacuna de atraso na infraestrutura, e isso só irá acontecer se houver indicações de que há espaço para os investimentos. Por isso precisamos trilhar um caminho que dê confiança ao empresário, ao investidor internacional", concluiu.

Últimas notícias