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Humberto chama denúncia de envolvimento na Lava Jato de "frágil"

Senador usou a tribuna da Casa Maior na tarde desta segunda (9) para defender-se das acusações

Do JC Online
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Publicado em 09/03/2015 às 18:19
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Senador usou a tribuna da Casa Maior na tarde desta segunda (9) para defender-se das acusações - FOTO: Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
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O senador Humberto Costa (PT) classificou a inclusão do seu nome na lista de investigados da Operação Lava Jato como “frágil”. As declarações foram dadas na tarde de ontem na tribuna do Senado. Humberto é suspeito de ter sido um dos beneficiários do recebimento de doações ilegais para a campanha eleitoral de 2010. “Um pedido de investigação, baseado em elementos frágeis – e eu vou mostrar que os elementos são frágeis –, é antecipadamente transformado em sentença condenatória nos veículos de comunicação e nas redes sociais”, disse o senador.

O petista afirmou que, nas 20 páginas do documento do Supremo Tribunal Federal (STF), em apenas duas delas seu nome é citado. A fragilidade da denúncia, segundo o senador, está em contradições dos depoimentos de Paulo Roberto Costa (ex-diretor de abastecimento da Petrobrás) e do doleiro Alberto Youssef. “Paulo Roberto disse que determinou a Alberto Youssef que ele disponibilizasse recursos para a minha campanha, mas que não sabe se Youssef fez. Youssef diz que isso nunca lhe chegou e que nada dessa natureza passou por ele, que foi um engano de Paulo Roberto”, disse. Segundo os depoimentos, Humberto teria solicitado R$ 1 milhão para sua campanha ao Senado em 2010. “Disse mais: é da quota do PP. Não sei se o PP tinha autorizado fazer isso, mas disse que foi da quota do PP”, acrescentou o petista.

Confira o discuros do senador:

Humberto admite que reniu-se diversas vezes com Paulo Roberto Costa. As conversas, segundo o senador, foram acompanhadas de outros políticos e tiveram como tema a instalação da Refinaria Abreu e Lima e o polo petroquímico do Estado.

Ainda segundo Humberto, o depoimento aponta que teria usado seu cargo de senador para pressionar o repasse da verba. No entanto, as eleições foram disputadas naquele ano. “Como é que a Procuradoria-Geral da República diz no pedido que fundamenta a abertura do inquérito que essa suposta doação tinha estreita relação com o cargo ocupado por mim, de Senador da República e Líder do PT no Senado se, em 2010, eu nem mandato eletivo tinha, eu era um simples candidato a partir do dia 1º de julho daquele ano?”, questionou. “É um absurdo. É um erro gritante que não posso deixar aqui de denunciar”, completou.

Humberto lembrou ainda que o seu nome esteve envolvido em outro escândalo - a Operação Vampiro - e acabou sendo inocentado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região. O senador finalizou apelando ao ministro Gilmar Mendes, do STF, que coloque em votação a proibição de financiamento de campanhas por empresas privadas. O petista também pediu celeridade na investigação do seu caso, solicitando ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a análise do seu envolvimento em 30 dias.

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