Curitiba

Diretor preso na Lava Jato se demite da Odebrecht

Preso na deflagração da fase Erga Omnes da Operação Lava Jato na última sexta (19), Alexandrino era diretor de relações institucionais da Odebrecht

Da Folhapress
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Publicado em 23/06/2015 às 16:38
Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
Preso na deflagração da fase Erga Omnes da Operação Lava Jato na última sexta (19), Alexandrino era diretor de relações institucionais da Odebrecht - FOTO: Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil
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Pouco depois de depor à Polícia Federal em Curitiba, o executivo Alexandrino de Salles Ramos de Alencar oficializou seu pedido de demissão da Odebrecht na noite desta segunda-feira (22) sob alegação de se dedicar "integralmente à defesa".

Preso na deflagração da fase Erga Omnes da Operação Lava Jato na última sexta (19), Alexandrino era diretor de relações institucionais da Odebrecht e um dos elos entre a construtora e doações para campanhas eleitorais. Habilidoso como políticos, ele foi o executivo da Odebrecht que acompanhou o ex-presidente Lula viagens ao exterior.

Em viagem à Guiné Equatorial em 2011 como representante do governo Dilma, Lula colocou Alencar entre os integrantes de sua delegação oficial.

"Em virtude dos fatos envolvendo a minha pessoa e vindos a público na sexta-feira (19.06.2015), comunico meu afastamento e meu desligamento da empresa, a fim de que me possa me dedicar integralmente à minha defesa no procedimento no qual figuro como investigado", escreveu Alexandrino, no comunicado endereçado à diretoria da empreiteira.

Após o término do depoimento de Alexandrino, o advogado Augusto de Arruda Botelho protocolou uma petição junto à 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná com o pedido de demissão anexado. Segundo a defesa, o fim do vínculo de Alexandrino com a Odebrecht afastaria o "risco à ordem pública" que poderia embasar a prorrogação da sua prisão temporária.

"Para fulminar em definitivo qualquer receio de risco à ordem pública, o peticionário informa que afastou-se e desligou-se em definitivo de suas funções na Construtora Norberto Odebrecht S/A", diz trecho da petição protocolada na noite desta segunda..

Botelho afirma que o agora ex-executivo tampouco oferece risco de fuga -"mesmo sabendo-se investigado há vários meses, ele foi localizado em seu endereço residencial"- nem de destruição de provas, outros requisitos para embasar a prorrogação da prisão.

PRISÃO

Alexandrino Alencar foi preso na mesma ação que deteve os presidentes Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, além de outros executivos ligados às duas empreiteiras, as maiores do país.

O juiz federal Sergio Moro citou no mandado de prisão que há prova material de pagamento de propina "no qual consta expresso o nome da Odebrecht como responsável pela transação".

Ele cita um suborno de US$ 300 mil para Pedro Barusco, feito em setembro de 2013, por uma empresa do Panamá chamada Constructora Internacional Del Sur, que o juiz liga à Odebrecht -a empreiteira sempre refutou que fosse a controladora dessa firma.

Contra Azevedo pesa uma transferência para ele de R$ 500 mil Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano -e apontado pelos investigadores da Lava Jato como intermediador de propinas para ex-diretores da Petrobras e integrantes do PMDB.

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