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O mandato da presidente Dilma já está na fase final, afirma Antonio Lavareda

Diante de um cenário nacional que congrega crises de cunho econômico, judicial, político e institucional, o especialista cita dificuldades para tomar decisões básicas da administração

Marcos Oliveira
Marcos Oliveira
Publicado em 21/03/2016 às 13:06
Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Diante de um cenário nacional que congrega crises de cunho econômico, judicial, político e institucional, o especialista cita dificuldades para tomar decisões básicas da administração - FOTO: Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
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O cientista político Antonio Lavareda em entrevista na manhã desta segunda-feira(21) à Rádio Jornal sentenciou que  "o mandato da presidente Dilma já está na fase final”. Diante de um cenário nacional que congrega crises de cunho econômico, judicial, político e institucional, o especialista elencou dificuldades para tomar decisões básicas da administração: como a nomeação de ministros. Citando o exemplo do caso polêmico do ex-ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, que, sob ordem do Supremo Tribunal Federal(STF), precisou escolher entre continuar no primeiro escalão ou voltar a atuar como procurador de Justiça na Bahia. Tendo ele optado por este segundo cargo. Além da turbulência ainda envolvendo a nomeação do ex-presidente Lula como ministro chefe da Casa Civil.

 

“Também faz parte da governação estimular as demais esferas do Poder, no mínimo, se relacionar com elas. Não se consegue chegar ao fundo do poço(nesta crise). Cada vez se constata que não se consegue chegar, e frustra as aspirações da sociedade, sobretudo dos jovens, podendo desembocar na violência”, afirma o especialista.

 

 

Enquanto que os opositores da administração petista vão às ruas pela queda do governo, quem apoia diz se tratar de um golpe contra a democracia. Visão esta que não possui sustentação para Lavareda.

“Não existe comparação entre o momento atual e o golpe de 1964. Quando se fala que é golpe, se deve ver como um recurso retórico dos partidos da base. É legítimo, como recurso retórico, mas está longe de ser golpe”, defende.
Ele lembra que a presidente Dilma possui hoje baixa popularidade, o que se reflete na grande mobilização das ruas. Diferente do que o País passou no momento anterior ao regime militar. “Uma pesquisa Ibope constatou que 49% das pessoas votariam em João Goulart(presidente deposto). Em Recife esse número era maior: 60%. O golpe de 1964 aconteceu sem o apoio da população. Não tem nada que deva ser relacionado com o golpe de 1964(acontecendo em 2016).



Sobre o impeachment, que ele elenca como sendo legítimo de um aparato democrático, vê claras diferenças entre o processo vivido pelo então presidente Fernando Collor e o iniciado contra a presidente Dilma. “Uma diferença é a base de apoio. Collor não dispunha de qualquer suporte da sociedade. Quando ele sai do Planalto, nem o comandante da aeronave respeitou a ordem dele de sobrevoar o lago Paranoá”, pontuou, como exemplo da perda da autoridade do ex-presidente. “A presidente Dilma conta com um partido que tem presença no Brasil, militância, prestou serviço para democracia brasileira. Embora tenha se complicado em momentos.”

Sobre a nomeação de Lula como ministro, Lavareda atesta ter sido feita em um momento tardio, já que a crise está instalada desde o começo de 2015, sem o governo demonstrar condições práticas de apontar um norte. “Por que que a presidente Dilma não chamou Lula em meados do ano passado? A situação hoje é muito ruim para o governo”, conclui.

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