eleições 2018

Empatado com Alckmin, Bolsonaro mira presidência em 2018

Famoso pelas polêmicas, Bolsonaro percorre o país para se viabilizar como presidenciável

Paulo Veras
Paulo Veras
Publicado em 24/07/2016 às 8:11
Foto: Agência Brasil
Famoso pelas polêmicas, Bolsonaro percorre o país para se viabilizar como presidenciável - FOTO: Foto: Agência Brasil
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Na semana em que o ultraconservador Donald Trump foi oficializado como candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, uma pesquisa do Datafolha mostrou o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) em terceiro lugar na corrida presidencial brasileira; numericamente empatado com o poderoso governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Está longe de ser o favorito, mas é potencial suficiente para bagunçar a disputa.

Militar da reserva e famoso pelas frases polêmicas contra homossexuais, feministas e integrantes do movimento negro, Bolsonaro amealhou 464,5 mil votos em sua última eleição para deputado. Em março, disposto a tentar voos mais altos, ele se filiou ao PSC oferecendo um acordo ao presidente nacional da legenda, Pastor Everaldo. Se tivesse pelo menos 10% nas pesquisas, entraria na corrida presidencial. Caso contrário, poderia centrar forças para concorrer ao Senado. Hoje, o Datafolha lhe dá entre 7% e 8%, dependendo de quem será o candidato tucano.

Para o cientista político Pedro Fassoni, professor da PUC-SP, uma das coisas que explica a popularidade de Bolsonaro é o vazio de crença na política. “O voto nele é um voto de protesto, que reúne um sentimento difuso contra tudo o que está aí e atinge todos os políticos. Ele também canaliza uma guinada conservadora na sociedade brasileira”, diz.

“O pessoal fala que Bolsonaro é um cara polêmico. Eu já não acho. Ele é um cara que fala a verdade. Só que a sociedade ficou tão mal acostumada com o politicamente correto que qualquer coisa que fuja daquela vertente é um absurdo”, afirma o autônomo Leandro Quirino, 28 anos, líder do grupo Direita Pernambuco. Ele organizou uma marcha favorável ao deputado no Recife pouco depois de ele defender o coronel torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra durante a sessão da Câmara que analisou o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

Foi a sucessão de polêmicas que fez de Bolsonaro famoso. Ele já disse que o erro da ditadura foi torturar e não matar, disse preferir um filho morto do que homossexual, defendeu que mulheres ganhassem salário menor porque podem engravidar e garantiu que não havia risco de um filho seu se relacionar com uma mulher negra porque eles “foram muito bem educados”. No mês passado, virou réu no STF por ter declarado, em 2014, que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia.

Mesmo assim, sua rejeição de 19% no Datafolha é inferior a de Lula (PT), Aécio Neves (PSDB), José Serra (PSDB) e Michel Temer (PMDB). Bolsonaro tem 3,2 milhões de seguidores no Facebook e 230 mil no Twitter. Segundo sua assessoria, tem viajado em até três estados por semana e já recebeu mais de 750 convites para palestras e eventos.

Presidente nacional do PSC, o ex-presidenciável Pastor Everaldo disse que Bolsonaro será candidato à presidência “graças a Deus”. “Na sociedade brasileira, a maioria esmagadora é conservadora. Então, tem espaço não só para disputar, como para ganhar as eleições”, garante. No início do ano, após filiar o deputado, Everaldo batizou Bolsonaro no Rio Jordão, o mesmo em que Jesus teria sido batizado.

Para Fassoni, é difícil que a candidatura dele se consolide. “Desde 1994, que não se consegue romper com essa polarização PT e PSDB”, lembra. “O Bolsonaro constrói o discurso pela negação e não pela proposição. Vai pesar muito na hora do eleitor votar as propostas de cada candidato para a saúde, educação, programas sociais. E o Bolsonaro não tem”, prevê.

O JC tentou ouvir Jair Bolsonaro, mas foi informado por sua assessoria de que o parlamentar não daria entrevistas nessa semana.

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