CÂMARA DOS DEPUTADOS

PSB aciona Conselho de Ética contra Wladimir Costa após acusação de assédio

Deputado paraense do Solidariedade foi acusado de assediar uma jornalista após jantar com Temer

JC Online
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Publicado em 09/08/2017 às 15:29
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Deputado paraense do Solidariedade foi acusado de assediar uma jornalista após jantar com Temer - FOTO: Foto:Reprodução
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O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) protocolou, nesta quarta-feira (9), em nome do partido, uma representação contra o também deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) por assédio praticado contra uma jornalista de Brasília. Costa ganhou os noticiários há algumas semanas por conta de polêmicas como a tatuagem feita em homenagem a Michel Temer, o apoio incondicional ao presidente na votação da denúncia por corrupção passiva e um suposto pedido de "nude", via WhatsApp, durante sessão na Casa.

O documento não pede uma punição específica, o que deverá ser determinado pelo relator do caso no Conselho de Ética. Ontem, o conselho arquivou a denúncia contra senadoras da oposição que ocuparam a Mesa Diretora do Senado, assim como arquivou o pedido de cassação do mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Em nota, o Solidariedade, partido de Wladimir disse que "tem entre seus compromissos permanentes e imutáveis o combate a qualquer tipo de desrespeito, assédio ou violência contra as mulheres e seus direitos. Não abona, portanto, os termos que têm vindo a público, atribuídos ao deputado Wladimir Costa, em relação à informação de assédio sexual e moral contra a jornalista Basília Rodrigues".

O partido disse que vai ouvir o deputado para conhecer formalmente a posição dele sobre os relatos divulgados pela mídia e reforçar a determinação de respeito e seriedade com as mulheres, que sempre nortearam a atuação da legenda.

Wladimir Costa

segundo relato da jornalista Basilia Rodrigues, no dia 1º de agosto, ela estava, a trabalho, cobrindo um jantar entre o presidente Michel Temer e aliados políticos, na noite anterior à votação que culminou no arquivamento da denúncia de corrupção passiva supostamente praticada pelo presidente. "Costa saiu orgulhoso do jantar dizendo que apresentou a tatuagem pra Temer, e que o presidente teria gostado. Pergunto pro deputado 1, deputado 2, deputado 3. Enfim, alguém aí viu o "taputado", o "detuado" se expôr à flor da pele para Temer? Não. Ele sai, brinca, se vangloria e dá sua versão. Pergunto: Deputado, o senhor pode mostrar de novo? Ele responde: "Pra você, só se for o corpo inteiro". Vou repetir essa resposta com destaque. "PRA VO-CÊ, SÓ SE FOR O COR-PO IN-TEI-RO", contou.

Esta não é a primeira vez que Wladimir se vê envolvido em polêmicas. No dia 29, o parlamentar, em evento oficial no Estado do Pará, foi visto com uma camiseta regata, bermuda jeans e uma lata de cerveja na mão. O comportamento, que gerou uma série de críticas, foi no dia em que a famosa tatuagem em homenagem ao presidente foi apresentada, e antecedeu mais um episódio constrangedor. Durante a votação contra Temer na Câmara, nessa quarta-feira (2), o deputado foi flagrado pedindo um suposto "nude" a uma mulher, via WhatsApp.

Sobre a conversa no Whatsapp em que foi flagrado, Wladimir Costa afirmou que a jornalista com quem conversava estava o incomodando, pedindo que ele mandasse fotos da sua tatuagem. "Trata-se de jornalista que estava há 48 horas enchendo meu saco, querendo me induzir a mostrar o meu corpo, tirar a minha camisa dentro do plenário da Câmara, onde se eu fizesse essa loucura, eu incorreria na quebra do decoro parlamentar", disse o parlamentar em entrevista ao programa Passando a Limpo da Rádio Jornal, nesta sexta-feira (4).

O deputado ainda é réu no STF desde 2010, junto com Wlaudecir Antônio da Costa Rabelo, irmão dele, sob a acusação de ter ficado com dinheiro que teria como destino inicial servidores fantasmas.

 

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