Congresso Nacional

Para conquistar Congresso, Bolsonaro precisará medir esforços

Para aprovar promessas de Davos, Bolsonaro tratará com quem ignorou até agora

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 25/01/2019 às 9:26
Analise
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Para aprovar promessas de Davos, Bolsonaro tratará com quem ignorou até agora - FOTO: Foto: AFP
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Além do desgaste político causado pelos escândalos oriundos do mandato de deputado estadual do seu filho mais velho – o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) –, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) terá problemas complexos a equacionar com o Congresso Nacional após sua passagem pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Com uma nova legislatura iniciando-se na próxima semana, no dia 1º de fevereiro, o mandatário precisará focar esforços nas articulações políticas para colocar em prática as promessas feitas a investidores internacionais para atrair dinheiro para o País, como a aprovação da reforma da Previdência.

O modo como essas mobilizações serão encaminhadas, no entanto, ainda é uma incógnita. Durante a formação da sua equipe ministerial, por exemplo, Bolsonaro fez várias tratativas diretamente com bancadas temáticas do Congresso, deixando em segundo plano as negociações com caciques partidários, coisa que não costumava ocorrer na história recente do País

Para Priscila Lapa, cientista política da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho), o presidente precisará, ao menos nesse início de mandato, adaptar-se ao modo de atuação do Legislativo para conseguir a aprovação das pautas que considera prioritárias. “Ele (Bolsonaro) vai ter que se adequar, fazer um movimento na direção daquilo que tradicionalmente move essa relação entre Executivo e Legislativo, que é essa negociação com os partidos. Eu não consigo, por exemplo, imaginá-lo conseguindo aprovar a reforma da Previdência sem conversar com os partidos”, afirmou a docente.

Dificuldades

Na visão do cientista político Elton Gomes, Bolsonaro não terá grande dificuldade de aprovar esses projetos, sobretudo porque teria acumulado experiência parlamentar suficiente nos 27 anos em que atuou como deputado federal e pelo fato de o PSL possuir a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados (52), ficando atrás apenas do PT (56).

“Além de tudo isso, Bolsonaro também costurou uma aliança com Rodrigo Maia (DEM) pela sua reeleição à presidência da Câmara, garantindo, assim, em troca do apoio político do PSL, um aliado importante, que tem o poder de agenda e que encaminhará os projetos necessários a plenário”, cravou.

A importância do Judiciário nesta equação foi lembrada pelo cientista político Ernani Carvalho, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Segundo o estudioso, além de preocupar-se com as costuras políticas que serão desenhadas no Legislativo, o presidente terá ainda que trabalhar para que seus projetos não venham a ser barrados na Justiça. “A nossa democracia requer uma articulação fina entre o Executivo e o Legislativo, mas que o que for combinado entre esses poderes não pode ser destoante do que diz a Constituição. Não é jogo simples”.

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