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Bolsonaro 'dá ampla liberdade à imprensa', diz Moro no Roda Viva

Declaração veio após pergunta de jornalista da Folha de S.Paulo sobre o comportamento do presidente em relação à imprensa

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 20/01/2020 às 23:31
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Reprodução de vídeo/TV Cultura
Declaração veio após pergunta de jornalista da Folha de S.Paulo sobre o comportamento do presidente em relação à imprensa - FOTO: Reprodução de vídeo/TV Cultura
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Ao ser entrevistado por jornalistas no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (20), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dá "ampla liberdade à imprensa". A declaração veio após pergunta do jornalista Leandro Colon, da Folha de S.Paulo, sobre o comportamento do presidente em relação à imprensa.

"O presidente Bolsonaro ataca a imprensa semanalmente. Ele ofende, agride jornalistas, manda uma repórter calar a boca. Um relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) mostra que os casos de violência contra veículos e jornalistas subiu 54% de um ano para o outro e o presidente Bolsonaro foi, sozinho, responsável por 58% dos ataques. O que o senhor acha do comportamento do presidente Bolsonaro em relação à imprensa?", questionou Colon.

"Na minha avaliação, o que eu vi nas eleições passadas foi que tinha um grupo falando que, tomando o poder, ia regular a imprensa, cercear, ao meu ver e entender, tanto a liberdade de imprensa quanto a liberdade do judiciário, falaram que seria necessária reforma do judiciário. Do outro lado, o presidente está dando ampla liberdade para a imprensa fazer seu trabalho, claro que isso é um dever, obrigação, mandamento constitucional, mas não se vê qualquer iniciativa do presidente de cercear a liberdade de imprensa", respondeu Moro.

Confira a participação de Moro no Roda Viva

Bolsonaro ironiza levantamento da Fenaj sobre ataques à imprensa

O presidente ironizou o levantamento da Fenaj sobre ataques à imprensa. O relatório da entidade mostra que 208 ataques a veículos de comunicação e jornalistas foram registrados no ano passado. Bolsonaro foi responsável por 121 desses casos, segundo a Fenaj, ou 58% do total.

Pelas redes sociais, o presidente reagiu com ironia. "HAHAHAHAHAHAHA. KKKKKKKKKKKKKKK." O comentário foi publicado na conta oficial do Facebook e do Twitter do chefe do Planalto.

Bolsonaro respondeu ainda a um seguidor que perguntou como o levantamento chegou ao índice. "Pegaram o QI médio da galera da imprensa. Deu 58", escreveu o presidente. Nos últimos dias, ele passou a responder internautas diretamente em comentários feitos nas publicações em sua página oficial.

Conforme o relatório da Fenaj, a maior parte dos ataques de Bolsonaro foi contabilizada na categoria "descredibilização da imprensa". "Em 2019, a modalidade tornou-se a principal forma de ameaça à liberdade de imprensa no Brasil e foi incluída no relatório diante da institucionalização da prática", disse a Fenaj.

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