Operação Ponto Final

Barganha em outros projetos em Caruaru

Despacho do juiz Pierre Souto Maior aponta que negociação para aprovação de projetos na Câmara ocorreu em outras ocasiões

Pedro Romero
Pedro Romero
Publicado em 11/01/2014 às 6:20
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Embora a Operação Ponto Final da Polícia Civil – que levou 10 vereadores para a prisão – tenha focado no projeto que previa a implantação de um BRT (Bus Rapid Transit) em Caruaru, orçado em R$ 250 milhões, o inquérito deixa claro que os vereadores envolvidos no escândalo de compra de apoio na Câmara também atuaram em outras ocasiões.

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Em seu despacho, acatando integralmente as denúncias do Ministério Público e determinando a instauração de ação penal contra os acusados, o juiz Pierre Souto Maior cita o projeto do Atualização do Cadastro Fiscal e outras Tecnologias (PMAT) e o que previa a licitação para o transporte público no município.

No relato, o magistrado afirma que o líder do governo na Câmara, Ricardo Liberado (PSC), disse: “Todas as vezes que havia projeto de cunho financeiro para aprovação, era recorrente o comentário de exigência e barganha para aprovação desses projetos por parte do grupo de vereadores”.

Em outro relato, o vereador Rozael do Divinópolis (PMN) disse que Val de Cachoeira (DEM) e Louro do Juá (SDD) foram à sua residência pedir para ele não comparecer à Câmara, pois queriam que a proposta sobre o transporte público fosse rejeitada. Rozael contou que saiu da oposição por se sentir pressionado para barganhar com o Executivo.

O juiz relata, ainda, que os vereadores Heleno do Inocoop (PRTB) e Romildo Oscar (PTN) disseram que tomaram conhecimento que empresários do ramo de transporte coletivo “chegaram junto” ao grupo de vereadores para que não houvesse aprovação do projeto que tratava da licitação do transporte, o que efetivamente aconteceu. Esse projeto não foi aprovado em 2012 nem em 2013. A Justiça suspendeu a sessão da Câmara de Vereadores que aprovou a implantação do BRT em Caruaru.

Considerados no processo como vítimas, o prefeito José Queiroz (PDT) e o secretário de Relações Institucionais, Marco Casé, mantêm silêncio sobre o assunto. Nos bastidores, há informações de que Casé estaria andando com segurança policial, fato que ele nega.

A Prefeitura divulgou apenas uma nota em 19 de dezembro, um dia após a Operação Ponto Final, na qual afirma que o delegado da Polícia Civil Erick Lessa deixou claro que o Executivo não aceitou, hora alguma, as pressões de vereadores para negociar vantagens em troca da aprovação de projetos.

“Conforme a mesma autoridade, a Prefeitura colaborou com as investigações e continuará a colaborar com a Justiça, com o Ministério Público e com a Polícia, sempre no interesse de combater a corrupção e as práticas não republicanas na política”, destaca a nota.

Dez parlamentares são acusados de concussão, corrupção passiva e integrar organização criminosa porque teriam cobrado R$ 150 mil para cada um para aprovar um projeto de implantação do BRT em Caruaru. O fato veio à tona com a Operação Ponto Final, desencadeada em 18 de dezembro e que prendeu os vereadores: Jajá (PPS), Val das Rendeiras (PROS), Louro do Juá (DEM), Sivaldo Oliveira (PP), Neto (PMN), Evandro Silva (PMDB), Cecílio Pedro (PTB), Val (DEM), Eduardo Cantarelli (PROS) e Pastor Jadiel (PROS). Depois de presos, eles foram libertados através de habeas corpus, mas a Justiça determinou o afastamento deles de suas funções.

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