Eleições 2016

Causa animal entra na pauta das campanhas no Recife e grupos alertam para "pseudo protetores"

Quem atua na área alerta para importância de separar "o joio do trigo"

Marcela Balbino
Marcela Balbino
Publicado em 27/06/2016 às 10:22
Foto: Diego Nigro / JC Imagem
Quem atua na área alerta para importância de separar "o joio do trigo" - Foto: Diego Nigro / JC Imagem
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No Recife, há atualmente mais de 100 mil animais abandonados. Tão grande quanto o número é a defesa da causa, que mobiliza pessoas de todas as classes sociais - dos mais humildes aos mais abastados. Gente que doa tempo, carinho, dinheiro e, principalmente, o voto. Desde as eleições de 2012, o tema tem sido recorrente em palanques eleitorais, inclusive a força da causa desdobrou-se na criação da Secretaria de Defesa Animal (Seda). Desde a criação, a pasta recebe críticas de ativistas das ONGs e protetores. A leitura é que a secretaria não mostrou a que veio.

Há quatro anos, o vereador Rodrigo Vidal (PDT), que ficou à frente da Seda, foi eleito com 5.441 votos, tendo como principal bandeira política a proteção animal. E, em pleno ano eleitoral, muitos pré-candidatos demonstram engajamento pelo tema. Militantes históricos da causa alertam para promessas vazias e desconectadas da realidade de quem atua no dia a dia.

Nas redes sociais, alguns pré-candidatos têm investido nas imagens com animais. Quem atua na área alerta para importância de separar "o joio do trigo", numa referência aos protetores comprometidos com a causa e os que querem apenas se apropriar para fins eleitorais. Eles também atentam para defesa das políticas públicas e o cumprimento das já leis existentes sobre o tema.

Presidente da ONG Brala, Luiz Leoni está há 15 anos na luta e alerta que, quando chega período eleitoral, muita gente se coloca como defensor. Quanto à eleição de Vidal, em 2012, ele classificou como "decepção total". "Foi colocada uma pessoa como se fosse um protetor da causa animal e, na hora que assumiu a pasta, deixou a parte de legislador para ir pro Executivo e foi uma decepção total", afirmou. Ele alertou, ainda, para que eleitores não caíam em ações pontuais. "Isso não é nada diante do que os protetores sem recursos fazem", grifou. Há ainda uma cobrança também por regulamentação das leis já existentes, como a de tração animal.

"A causa animal hoje angaria muito voto, mas o importante é ter pessoas que se dediquem mesmo à área. Não podemos odiar política, temos que ter representantes nas instâncias de poder", defendeu Leoni. A opinião é compartilhada por Vilani Holanda, 59 anos, 25 deles dedicados à causa animal, que criticou os "pseudos protetores" que usam a causa animal para se promover na política.

Candidato à reeleição, o vereador Rodrigo Vidal afirmou que o trabalho realizado na Seda foi "extremamente significativo", mesmo com a restrição orçamentária trazida pela crise econômica. Destacou ainda as políticas públicas "inéditas" tiradas do papel no período, como o Hospital Veterinário, previsto para ser inaugurado em setembro.

"São avanços, mas que precisam crescer e para crescer precisam de orçamento. O Brasil vive um momento muito delicado na questão orçamentária. É preciso ter paciência para entender", justificou.

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