RACHA NO PSB

Silêncio entre aliados do PSB para estancar críticas de Antônio Campos

Após as declarações de Antônio Campos, aliados silenciam para não alimentar polêmica

Marcela Balbino
Marcela Balbino
Publicado em 03/11/2016 às 8:45
Foto: Guga Morais/Divulgação
Após as declarações de Antônio Campos, aliados silenciam para não alimentar polêmica - FOTO: Foto: Guga Morais/Divulgação
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Políticos da base aliada da Frente Popular adotam a lei do silêncio ante as declarações do advogado Antônio Campos (PSB), que foi a público questionar as principais lideranças do PSB no Estado e Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos. A estratégia é não dar eco às críticas dele, que disputou e perdeu a Prefeitura de Olinda. Oficialmente, nenhuma liderança faz considerações ao que foi dito. Mas, nos bastidores, pontuam a falta de habilidade política e evitam comentários classificando o episódio como "briga familiar".

Para não criar arestas com o PSB, aliados tratam as declarações como "ressentimento e mágoa" e destacam o legado deixado pelo ex-governador Eduardo Campos, ressaltando a capacidade dele de unir as legendas na Frente Popular. Nem mesmo políticos citados na entrevista quiseram se posicionar, sob a justificativa de que o caso diz respeito a questões internas do partido.

Nem o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, nem o estadual, Sileno Guedes, responderam aos telefones ou às mensagens da reportagem.

O vice-presidente estadual do PSB, Luciano Vásquez, defende uma análise profunda da legenda, após o resultado das urnas e as alianças rompidas. Ele foi um dos que subiu no palanque da prefeita eleita Raquel Lyra (PSDB), em Caruaru, quando a posição do Palácio era apoiar Tony Gel (PMDB). Quanto à repercussão do posicionamento de Antônio Campos, ele pontuou os componentes familiares e políticos. No campo político, pregou uma avaliação dos erros e equívocos cometidos pelo partido em Olinda.

"É preciso depurar isso com muita tranquilidade, mas hoje a motivação que me move dentro do PSB é pela reunificação, pela unidade e planejamento, como forma de minimizar os erros e as críticas", avaliou.

Vásquez foi um dos que defendeu a candidatura de Campos em Olinda. "Ele é um quadro expressivo do nosso partido. Então, temos que avaliar o que ele está colocando", disse.

A vereadora Marília Arraes, eleita pelo PT após deixar o PSB com críticas à condução política da legenda, preferiu não tecer comentários sobre o episódio. "Não vejo minhas críticas como semelhantes as dele", disse. "Desde o início, meu posicionamento foi pela esquerda, por questões político-ideológicas. Já nem estou mais no partido, não vejo porque opinar nessa divergência. Minhas declarações nunca foram no âmbito familiar e sim pela guinada à direita do PSB. Esse autoritarismo é resultado do campo político tomado, essa posição inábil é típica de partido da direita", afirmou.

Procurado para repercutir as declarações, Antônio Campos respondeu, via WhatsApp, que ratifica informações da entrevista.

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