CRÍTICA

''Está querendo ser empresário de banda'', diz irmão de prefeito de Camaragibe

Em entrevista, o coronel Meira disse que espera pela mudança de comportamento do irmão, alvo de investigação do MPPE

Amanda Azevedo
Amanda Azevedo
Publicado em 19/02/2019 às 21:54
Foto: Marcos Pastich/ Arquivo JC Imagem
Em entrevista, o coronel Meira disse que espera pela mudança de comportamento do irmão, alvo de investigação do MPPE - FOTO: Foto: Marcos Pastich/ Arquivo JC Imagem
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Na mira do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) depois que vazaram áudios nos quais convoca os comissionados da prefeitura para participarem de um bloco que teve sua noiva como atração, o prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB), foi alvo de críticas do irmão, o coronel Meira, ex-comandante do Batalhão de Choque.

Em entrevista ao programa Mesa Política, publicada nesta terça-feira (19) na página Camaragibe Urgente, no Facebook, coronel Meira disse que o irmão, com quem não mantém uma boa relação, "está querendo ser empresário de banda".

"Ao invés de ser prefeito da cidade, ele agora está querendo ser empresário de banda. É uma coisa muito difícil. Torço para que ele mude, para que ele pense na cidade de Camaragibe", afirmou.

Polêmica envolvendo prefeito de Camaragibe

Em áudios enviados por meio do aplicativo WhatsApp, o prefeito ordenou que os comissionados comparecessem ao bloco Canário Elétrico no qual sua noiva, Taty Dantas, seria a atração.

A mensagem teria sido enviada em um grupo de WhatsApp chamado “Tropão”, cujos integrantes fazem parte da gestão municipal. “Quero convidar todos os cargos comissionados para agora, 12h, estar em frente ao trio onde vai cantar a minha noiva Taty Dantas. (...) Vou fazer um cordão de isolamento ao redor do trio só para os comissionados. Por favor, divulguem, multipliquem. A gente vai filmar e eu vou contar quantos cargos comissionados foram até o evento. Eu sei que tem gente que não gosta de Carnaval. Eu também não vivo Carnaval, mas minha noiva vai cantar, a minha futura esposa Taty Dantas, e eu quero a presença de todos os cargos comissionados. Vai lá para dar presença. Depois que ela cantar as músicas dela, tá (sic) todo mundo liberado”, diz um trecho do áudio.

Em nota, a Prefeitura de Camaragibe defendeu que o prefeito “não forçou nenhum funcionário da prefeitura a comparecer ao bloco Canário Elétrico. Na verdade, foi feita uma convocação apenas daqueles que ocupam cargos comissionados para apoiar o bloco, que é tradicional nas prévias carnavalescas do município. Ressaltamos ainda que o órgão municipal não patrocinou a saída do bloco e nenhum show que acontecerá nele. Apenas foi dado apoio com Guarda Municipal e assistência médica, assim como em todos os outros blocos que sairão na cidade”, diz o comunicado.

Investigação do MPPE

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou, nesta terça-feira (19), um procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar se o prefeito de Camaragibe cometeu o crime de peculato — quando recursos públicos são usados de maneira indevida para patrocinar fins privados e pessoais. Também se investiga se houve a prática de intimidação contra os servidores.

O subprocurador-geral de Justiça Clênio Valença explicou, durante coletiva de imprensa, nesta tarde, que vai enviar até esta quarta-feira (20), um ofício ao prefeito para que ele informe, no prazo de 72 horas, se Tay Dantas é realmente servidora municipal. Se o vínculo com a administração pública de fato existir, o MPPE oficiou para que ele apresente o ato de nomeação dela e demais documentações que entender cabíveis.

 

 

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