Investigações

Irregularidades em obras de escolas em Camaragibe resultaram na prisão de Meira

O prefeito da cidade, Demóstenes Meira, é apontado pela Polícia Civil como líder dessa organização criminosa

Nathália Macedo
Nathália Macedo
Publicado em 21/06/2019 às 16:30
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Foto: Divulgação/PCPE
O prefeito da cidade, Demóstenes Meira, é apontado pela Polícia Civil como líder dessa organização criminosa - FOTO: Foto: Divulgação/PCPE
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Durante a segunda parte da Operação Harpalo, que terminou com a prisão do prefeito de Camaragibe, Demóstenes Meira (PTB) e de mais quatro empresários do ramo da construção civil, nessa quinta-feira (20), a Policia Civil de Pernambuco concluiu que o órgão municipal fraudou diversas licitações, entre elas as de construções de escolas e obras infraestrutura. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (21), em coletiva de imprensa.

Obras

De acordo com a procuradora-geral do Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPCO), Germana Laureano, nas primeiras investigações a polícia imaginava que cerca de R$ 1 milhão havia sido pago para as empresas em forma de licitação para supostas obras, que foram todas superfaturadas. Como a investigação ainda continua não se sabe ainda se elas foram feitas ou nunca existiram. Contudo, ao fechar a Operação Harpalo II, a polícia concluiu que o montante total do desvio de verba pública chegou a R$ 60 milhões.

O prefeito é o líder da quadrilha

Demóstenes Meira é apontado pela Polícia Civil como líder dessa organização criminosa, que, segundo a procuradora, um esquema foi montado para que a mesma empresa ganhasse todas as licitações em Camaragibe. Ainda segundo Germana Laureano, não havia concorrência, pois todas as propostas pertenciam a um único dono.

"Eles são oriundos de licitações montadas, porque eram cartas convites sempre dirigidas as mesmas empresas, onde em análise com o tribunal de contas, em conjunto com a Polícia Civil, descobriu que os envelopes nunca foram abertos. As propostas apresentadas por cada uma da empresas estavam do lado de fora dos envelopes e a lei exige que o conteúdo esteja dentro, lacrado e aberto apenas na ata da sessão de julgamento."

Cargo

A promotora afirmou ainda que, mesmo após a prisão preventiva e o afastamento de 180 dias, o prefeito de Camaragibe poderá ainda voltar ao cargo se for solto.

Vice

Ainda na quinta, a vice-prefeita Nadegi Queiroz (PTC) assumiu o comando do município. Rompida com o petebista após apenas 24 dias de gestão, ainda no início de 2017, a vice-prefeita tomou posse na Câmara de Vereadores. Em entrevista ao Blog de Jamildo, Nadegi Queiroz afirmou que a prisão do ex-aliado é "uma coisa lógica".

Colecionador de Polêmicas

Demóstenes Meira (PTB) protagonizou uma polêmica em fevereiro. Em dois áudios que circularam por aplicativos de mensagens, o chefe do executivo municipal emitiu recomendações aos funcionários com cargos comissionados, para que participassem de uma prévia carnavalesca, que teria como atração sua noiva, a cantora Taty Dantas. Por conta disso, o Ministério Público de Pernambuco abriu investigação contra o prefeito.

No fim de 2018, o prefeito de Camaragibe foi filmado ameaçando fiscais da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que tentavam impedir o desmatamento de uma área de proteção ambiental (APA) em Aldeia-Beberibe, para a construção de uma estrada. Na ocasião, o serviço estava sendo executado sem licença do órgão ambiental. Os tratores só pararam de trabalhar quando os Policiais Militares chegaram ao local.

Investigação

Segundo a delegada da Diretoria Integrada Especializada - DIRESP, Jéssica Ramos, que está coordenando a operação, Tatiana Dantas está sendo investigada também por causa de um contrato firmado com o prefeito de Camaragibe, no começo do relacionamento, em que uma das clausulas ele se compromete a divulgar a carreira da mulher.

Na ocasião, Demóstenes Meira iria ganhar metade de tudo que ela obtivesse dos shows. Ainda segundo a delegada, Tatiana se apresentou várias vezes no município com as despesas pagas pela prefeitura da cidade.

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