Opinião

Quais são as causas do desemprego no Brasil e o que fazer para fugir dessa estatística?

É bem verdade que muitas empresas estão desligando seus funcionários por falta de opção, mas pessoas são essenciais na retomada das empresas e sem elas a situação pode se agravar.

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 03/05/2021 às 8:11
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Gerd Altmann/Pixabay
Desemprego é realidade para mais de 14 milhões de brasileiros - FOTO: Gerd Altmann/Pixabay
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Na última sexta-feira, 30 de abril, o IBGE divulgou os números do desemprego no Brasil no último trimestre – dezembro de 2020 a fevereiro de 2021. E os números não são nada animadores; a taxa de desocupação chegou a 14,4% com um total de 14,4 milhões de pessoas desempregadas. Esse é o maior número já registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua) desde o início da contagem em 2012.

O aumento do desemprego foi de 2,9% em relação ao trimestre anterior e a quantidade de desempregados aumentou em 400 mil pessoas. Em um ano, o aumento foi de 16,9% ou 2,1 milhões de novos desempregados. Aliado a isso, temos um cenário desolador especialmente por conta do agravamento da pandemia no país. O início de 2021 foi o auge da pandemia no Brasil; para se ter ideia, só entre janeiro e abril desse ano houve mais mortes por Covid do que em todo o ano de 2020. E, obviamente, a economia não iria suportar. Antes da pandemia o Brasil nunca tinha chegado a esse percentual de desempregados – o auge era de 13,7% em 2017. Em contrapartida, o número de empregados manteve-se estável em relação ao trimestre anterior, com 85,9 milhões de pessoas trabalhando.

Outro número que assusta é o de pessoas ativas que desistiram de procurar emprego; hoje, o Brasil tem, aproximadamente, 6 milhões de pessoas desalentadas em relação as buscas por um novo emprego, 20% a mais em relação ao mesmo período de 2020. E com o desemprego em alta, a informalidade toma conta de muitos lares brasileiros. Afinal, ficar parado não é uma opção para quem tem família. Para fechar, a pesquisa mostra que o Brasil tem 34 milhões de trabalhadores informais, o que representa 39,6% da população ocupada. No trimestre anterior esse número era de 39,1%.

Esses números têm causas variadas, mas que convergem para a crise sanitária ocasionada pela pandemia e o modo como o governo e a sociedade tratam o assunto. Para chegar a esse ponto, o Brasil passa por uma grave crise econômica e política que já são uma rotina em nosso país, mas que se agravaram com a morosidade na tomara de decisões importantes como a compra de vacinas e guerra entre o governo federal e os governos estaduais em relação a lockdown e outras medidas preventivas que poderiam minimizar esse cenário de guerra.

Mas afinal, o que fazer para não perder o emprego nesses tempos de crise? É bem verdade que muitas empresas estão desligando seus funcionários por falta de opção, afinal, muitas delas simplesmente faliram ou passam por graves dificuldades financeiras. Mas, pessoas são essenciais na retomada das empresas e sem elas a situação pode se agravar.

Por isso, aqui vão algumas dicas para evitar que você perca o emprego nesse período de incertezas:

  • Seja essencial

Em tempos de crise, pessoas desinteressadas e que não agregam são as primeiras a serem cortadas. Por isso, torne-se essencial para a empresa, não coloque obstáculos e entenda que o momento é de colaboração mútua.

Compartilhe seus aprendizados e seja uma pessoa que todos possam contar na empresa, do presidente ao estagiário.

  • Evite erros

Durante o home office é comum ficar inseguro e sem suporte. Por isso, redobre sua atenção em relação as atividades e responsabilidades. Essa fase de adaptação ao novo é difícil para muitos e, por isso, cuidado redobrado é essencial para evitar problemas.

O momento é de mostrar segurança para seus gestores e subordinados.

  • Fique atento à reinvenção do negócio

Crise é o melhor momento para se reinventar; ela nos obriga a isso. E com os negócios não é diferente. Muitas empresas precisaram mudar o caminho e seguir com novas estratégias, novos produtos e novos públicos-alvo.

É importante que os profissionais não sejam resistentes a essas mudanças e estejam dispostos a ajudar. Resistência nesse momento só atrapalha e faz a empresa afundar ainda mais.

  • Não se queixe. Proponha algo novo

Se queixar não vai levar a empresa a uma situação melhor; suas reclamações não o farão um profissional melhor e você ainda corre o risco de ser desligado por falta de comprometimento e flexibilidade. Por isso, mexa-se.

Em tempos de crise, as empresas querem ver seu lado positivo, suas ideias e sugestões para fazer diferente. Essa é a hora de tirar da cabeça aquela sugestão inovadora e colaborar.

  • Seja resiliente

Em momentos difíceis, os resilientes saem na frente. Eles superam as dificuldades com mais facilidade, são flexíveis nos momentos de mudanças e procuram enxergar soluções em meio aos problemas.

Não é tarefa fácil, mas busque sua resiliência. Ela pode dar ânimo e a te ajudar a encontram maneiras criativas de fazer as coisas funcionar bem para você e a empresa.

Não espere alguém dizer o que você deve fazer. Um bom profissional tem percepção sobre o cenário e parte para a ação. O mercado está em recessão e a crise não tem hora para acabar, mas seja positivo. Mantenha seu emprego com entusiasmo e colabore com a empresa. Esse momento não está difícil só para você.

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