Mercado de trabalho

Dia do Orgulho LGBTQIA+: os desafios e o que fazer para incluí-los no mercado de trabalho

As empresas precisam olhar essa questão com seriedade e estabelecer ações concretas de atração, retenção e engajamento desses profissionais, além de desenvolver os demais funcionários para evitar comentários e comportamentos discriminatórios

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 28/06/2021 às 7:23
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Grupo lembrou mortes de pessoas LGBTQIA+ no Brasil - FOTO: lillen/Pixabay
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Hoje, 28 de junho, é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. O objetivo da data é conscientizar a população sobre a importância do combate à homofobia para a construção de uma sociedade livre de preconceitos. Por isso, é uma excelente oportunidade para falarmos sobre os desafios que a comunidade enfrenta no mercado de trabalho.

Em 2019, uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria de engajamento Santo Caos para o projeto “Demitindo Preconceitos”, com representantes de 14 estados brasileiros, mostrou que 38% das empresas pesquisadas têm ressalvas para contratar lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queers e intersexuais. Ainda de acordo com a pesquisa, apenas 47% dos trabalhadores LGBTQIA+ revelam sua orientação sexual no ambiente de trabalho. Esses números escancaram a dificuldade enfrentadas pela comunidade para conseguir um emprego e a necessidade de omitir sua orientação sexual nos processos seletivos.

Os desafios são muitos e estão intimamente ligados à conduta da sociedade como um todo, uma espécie de espelho de como lidamos com a diversidade e a inclusão. No mercado de trabalho, o preconceito começa no processo seletivo. De acordo com a ONG TransEmpregos, que conecta pessoas trans ao mercado de trabalho, os trans são os que sofrem mais preconceitos, que começam antes mesmo de mostrarem suas competências. Esse grupo raramente consegue avançar em seleções de emprego e quase não estão presentes no mercado de trabalho formal. Mas, a hostilidade para os LGBTQIA+ que trabalham no mundo corporativo não é diferente; grande parte trabalha em ambientes inseguros, enfrentando preconceito de colegas e gestores. Mesmo a discriminação por identidade de gênero e/ou orientação sexual sendo considerada crime, piadas, fofocas, exclusão e assédio moral ou físico fazem parte do dia a dia de muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+.

Mas afinal, como mudar essa realidade? Promover a inclusão é o primeiro passo. As empresas precisam olhar essa questão com seriedade e estabelecer ações concretas de atração, retenção e engajamento desses profissionais, além de desenvolver os demais funcionários para evitar comentários e comportamentos discriminatórios. Outro fator relevante é a promoção da valorização das diferenças, construindo assim um ambiente seguro, respeitoso e inclusivo. Só assim o profissional será quem ele é de verdade, seja dentro ou fora da empresa. A criação de um canal de denúncia para que casos de preconceito sejam tratados é um caminho que mostra o quão intolerante a empresa é em relação ao assunto e cria uma disciplina entre os demais funcionários para evitar esses casos. Por último, a criação de programas de inclusão cria engajamento da alta liderança e ações de incentivo ao desenvolvimento e a ascensão desses profissionais.

Muitas empresas – especialmente as de grande porte – têm enfrentado o desafio da inclusão de frente, com programas e cotas específicas, não só para profissionais LGBTQIA+, mas também negros, mulheres e idosos. Porém, mesmo a empresa alavancando as campanhas de inclusão e fazendo programas de contratação específicos para a comunidade LGBTQIA+, ainda existe resistência de muitos gestores.
O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, criou, em 2018, o grupo Orgulho LGBT, com mais de 60 colaboradores e realiza ações para atrair, reter e desenvolver talentos, além de contribuir com a tomada de consciência sobre a comunidade LGBT. A gigante de cosméticos Natura, oferece, há mais de 15 anos, benefícios de saúde a casais LGBTQIA+, como licenças parentais estendidas - maternidade de seis meses e paternidade de 40 dias –, além do berçário, sem custo, para pais e mães, independentemente do gênero ou orientação sexual. Ações como essas ajudam a quebrar barreiras; políticas afirmativas em prol da comunidade LGBTQIA+ fazem o preconceito ser visto como algo verdadeiramente errado e contra a política da empresa. Por isso, é extremamente relevante que a empresa se posicione e não fique em cima do muro. Para que a discriminação diminua, é preciso falar sobre o assunto e recriminar aqueles que fazem.

As empresas precisam entender que investir em diversidade é um caminho sem volta e que só traz resultados positivos. Aquelas que ainda resistem em promover medidas para incluir LGBTQIA+ acabam perdendo profissionais capacitados que poderiam gerar excelentes resultados. É preciso falar sobre o assunto e mostrar ao mercado que profissionais que trabalham em empresas preocupadas com as questões sociais e livres de preconceitos se sentem acolhidos, além de participarem de um ambiente de trabalho que estimula a diversidade de ideias, a criatividade e a inovação.

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