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Gisele Bündchen, Anitta... Por que as empresas estão contratando celebridades para o cargo de conselheiro? Entenda

Afinal, que papel essas pessoas têm no Conselho, onde são definidos as estratégias e os rumos da empresa?

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 02/08/2021 às 7:21
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No final de junho, a fintech brasileira de maior prestígio e projeção, Nubank, anunciou Anitta como membro do Conselho Administrativo - FOTO: Reprodução/Instagram
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Semana passada uma notícia inusitada chamou a atenção do mercado: a modelo Gisele Bündchen se tornou sócia e conselheira da Ambipar, multinacional especializada em gestão e serviços ambientais. Mas Bündchen não é a única celebridade a assumir esse posto em uma empresa de grande porte. Na verdade, esse fenômeno que começou há pouco tempo tem se normalizado em grandes empresas do Brasil e do mundo.

No final de junho, a fintech brasileira de maior prestígio e projeção, Nubank, anunciou Anitta como membro do Conselho Administrativo. Desde então, a cantora ajuda a empresa na tomada de decisões estratégicas e com o posicionamento da marca. Sem salário fixo, Anitta será remunerada através de ações da empresa que cresce há dois dígitos anualmente. No caso de Bündchen, a negociação é outra. A modelo é acionista da empresa e tem participação efetiva em ações; detalhes financeiros não foram revelados.

Mas por que empresas como Ambipar e Nubank unem forças a famosos que não entendem nada de gestão ambiental ou mercado financeiro? Afinal, que papel essas pessoas têm no Conselho, onde são definidos as estratégias e os rumos da empresa? A primeira explicação é puramente ligada a marketing. Com as redes sociais pegando fogo e levando informações instantâneas, os usuários associam a imagem da celebridade a marca. Mas isso não é uma grande novidade; esse modelo existe desde sempre com as propagandas de TV. O fato é que, alçando celebridades ao cargo de Conselheiro, as empresas se aproximam mais de um público pouco explorado, se mostrando preocupada com a diversidade. Anitta, por exemplo, é cantora de funk, se comunica com um público jovem e de comunidade. Em contrapartida, o Nubank ainda é visto como um banco de elite. E juntar esses dois universos é sucesso na certa. Assim, o banco chega em um público cheio de potencial e que ainda não conhece a marca. O caso de Gisele, apesar de ser em um segmento completamente diferente, é muito parecido. A modelo sempre defendeu causas ligadas ao meio ambiente e associar seu nome a uma empresa de gestão ambiental é uma cartada certeira. Em tempos de poucos cuidados com o planeta, defender essa causa só traz benefícios para os todos os envolvidos.

Outras estrelas também fazem parte de conselhos de empresas. Marina Ruy Barbosa é Diretora de Moda da ZZ Mall, conglomerado de marcas como Arezzo, Schutz e Anacapri. A atriz, que tem um forte apelo fashion em suas redes sociais é o rosto perfeito para gerar desejo nas consumidoras. Responsável pela estratégia de moda, curadoria e direção criativa de conteúdo, Marina fortalece a marca e se comunica diretamente com suas fãs que querem usar o que ela mostra nas redes. Resultado: vendas nas alturas. A cantora Iza é Diretora Criativa da marca esportiva brasileira Olympikus, onde dá palpites no desenvolvimento de produtos e em campanhas publicitárias. Jovem, cheia de energia e sucesso nas redes sociais, Iza só traz bons resultados a marca. Além delas, a atriz Taís Araújo é embaixadora do banco BV (antigo Votorantim) e a cantora e atriz Manu Gavassi é head de conteúdo da bebida Tanqueray. E outros nomes virão. Afinal, esse fenômeno só está começando.

Escolher um Conselheiro não é tarefa fácil e alguns fatores devem ser considerados pela empresa. O primeiro deles deve ser a capacidade para o cargo e, nesse processo, a fama por si só não deve ter tanto peso. No caso dos conselheiros profissionais, o entendimento e a vivência no negócio contam muito. Para os famosos, o que importa é a aderência com o propósito da marca. A pessoa tem que influenciar diretamente o público-alvo e saber o que eles esperam daquela marca. Outro fator relevante é a cultura. Não adiantaria ter Gisele Bündchen no Comitê de Sustentabilidade de uma empresa de gestão ambiental, se ele não fosse uma ativista do meio-ambiente; não adiantaria ter Marina Ruy Barbosa numa empresa de moda, se ela não fosse referência no assunto. E tem mais, as celebridades devem ter sempre em mente que a partir do momento que aceitam um convite desses, o comportamento na vida pessoal pode respingar diretamente na marca. Sendo assim, muito cuidado com o que faz por aí, porque qualquer passo em falso pode ser fatal.

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