Carreiras e Mercado de Trabalho

País do "bico": trabalho informal cresce no Brasil e é alternativa para muitos

O trabalho por conta própria, inclusive os "bicos", atingiu 24,8 milhões de trabalhadores brasileiros, o que representa 28,3% da população ocupada

Felippe Pessoa
Felippe Pessoa
Publicado em 06/09/2021 às 7:01
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Dos 10 novos postos de trabalho criados no Brasil, 7 foram de trabalhadores que atuam por conta própria - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Notícias fresquinhas referentes ao desemprego no Brasil foram divulgadas pelo IBGE. A boa nova é que o desemprego recuou; no segundo trimestre do ano, a taxa ficou em 14,1%, contra 14,7% do primeiro trimestre. E tem um dado curioso nos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Pnad: a queda no desemprego veio do trabalho informal, daqueles trabalhadores que atuam por conta própria. Dos 10 novos postos de trabalho criados no Brasil, 7 foram de trabalhadores que atuam por conta própria.

O trabalho por conta própria, inclusive os “bicos”, atingiu 24,8 milhões de trabalhadores brasileiros, o que representa 28,3% da população ocupada. É muita gente na informalidade ou tentando sobreviver em micro negócios sem registro nos órgãos competentes. Para se ter uma ideia, mais de 1 milhão de pessoas aderiram ao trabalho por conta própria no segundo trimestre de 2021 em relação ao primeiro trimestre. Em um ano, o aumento foi de 14,7% ou 3,2 milhões de pessoas. E a informalidade é um problema quase natural em um país economicamente fragilizado; dos 24,8 milhões de brasileiros que atuam por conta própria, apenas 23% têm CNPJ.

O grupo de trabalhadores informais engloba os empregados no setor privado sem carteira assinada, empregados domésticos sem carteira assinada, empregador sem registro no CNPJ, trabalhador por conta própria sem registro no CNPJ e trabalhador familiar auxiliar. Por conta da pandemia, muitos profissionais que tinham carteira assinada resolveram não buscar mais emprego, muitos delas escoradas no auxílio emergencial oferecido pelo governo nesse período. Outras, resolveram dar um tempo nas buscas por medo da contaminação ou preferiram ficar em casa para cuidar dos filhos, por exemplo. Tudo isso, fez a informalidade aumentar e pessoas que antes atuavam em empresas formais buscarem caminhos com mais flexibilidade. Quantas mulheres não passaram a fazer doces, por exemplo? Quantas pessoas não começaram a trabalhar com carros de aplicativo? Outra causa muito comum para a escolha do caminho da informalidade é a falta de preparação para encarar o mercado de trabalho. O grupo de pessoas com nenhuma escolaridade ou apenas educação primária em países subdesenvolvidos chega a 95% da população, o que dificulta esses trabalhadores a encontrar um trabalho formal e os força a fazer “bicos” para sobreviver.

De fato, a informalidade não é a primeira opção da maioria. A falta de emprego e de capacitação para entrar no mercado são os principais fatores que levam as pessoas a recorrerem a esse caminho. Mas tem suas vantagens; a principal delas é a liberdade de definir suas próprias horas e escolher seus próprios projetos. Apesar de não serem acobertados pelo seguro-desemprego e INSS, é possível sim administrar o tempo e ter ganhos, especialmente quando se presta um bom serviço.

No final das contas o que importa é se manter ativo. No Brasil, onde estamos longe de qualquer estabilidade econômica, agarrar as oportunidades é essencial e pode levar a bons caminhos. Não é incomum ver profissionais que começam fazendo “bicos” e, por bons serviços, são efetivados. Não há segredos: trabalhar com afinco, interesse e ética é a melhor forma de crescer na carreira e, para os que desejam, sair da informalidade.

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