OPINIÃO

Escolha de Alexandre Cabral para o BNB foi de Fernando Bezerra, especialista em arrumar boquinhas para apadrinhados

Alexandre Cabral ficou na presidência do Banco por apenas um dia. Amigo de Fernando Bezerra (MDB-PE), ele tem ficha suja, acusado de irregularidades, e foi logo demitido

Cláudio Humberto
Cláudio Humberto
Publicado em 05/06/2020 às 7:23
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
No governo ninguém explica como Bezerra driblou o sistema que checa a vida pregressa de indicados para entronizar o enrolado Cabral no BNB - FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Diretor vapt-vupt do BNB

A passagem vapt-vupt de Alexandre Cabral pela presidência do Banco do Nordeste (BNB), por apenas um dia, mostrou que 'fake news' são frequentes na imprensa formal. É que Cabral não foi indicado pelo 'centrão' e nem mesmo pelo PL do ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP): foi uma escolha de Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado e, especialista em arrumar boquinhas para apadrinhados, agiu rápido antes de o 'centrão' emplacar seu indicado. O amigo do senador tinha ficha suja, acusado de irregularidades, e foi logo demitido.

No governo ninguém explica como Bezerra driblou o sistema que checa a vida pregressa de indicados para entronizar o enrolado Cabral no BNB.

Fonte do Planalto diz que Bezerra teve ajuda de Salim Mattar, secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, para a troca no BNB.

A presidência do BNB era uma antiga aspiração do líder do governo, que já tinha no banco alguém de sua confiança em uma das diretorias. Bezerra sabia que a troca era questão de tempo: o presidente do BNB foi indicado por Eunício Oliveira, que não é senador desde o final de 2018.

Hospital em SP é quase cenográfico

Bastou uma visita de inspeção de deputados estaduais de São Paulo para descobrir que é praticamente cenográfico o 'hospital de campanha' instalado pelo governo estadual no Anhembi. Só a montagem custou R$ 12 milhões, além dos R$ 10 milhões mensais para sua 'manutenção'. Pareciam esconder alguma coisa: tentaram impedir o acesso dos deputados à força. Márcio Nakashima (PDT), chegou a ser empurrado.

Sem respirador

Uma das observações mais graves, feita pelo deputado Coronel Telhada, é que nesse festejado 'hospital de campanha' não há um só respirador para os pacientes.

Só 10%

O hospital de campanha do Anhembi foi montado para receber 1.800 pacientes, mas os deputados conferiram: só havia 10% disso.

Faltando...

Os deputados quase não viram camas e, quando as encontraram, estavam sem colchões. Viram também geladeiras ainda embaladas.

Café triplo

Circulava nos corredores do Planalto a história de um suposto encontro, fora da agenda, na manhã de sexta (29), entre Rodrigo Maia, João Dória, e Alexandre de Moraes (STF), na casa do ministro. Humm...

De volta

O porta-voz da Presidência da República, general Otavio Rego Barros, retornou ao trabalho após duas semanas se recuperando de covid-19. Foi recebido com regozijo por sua equipe.

Pensando bem...

...a boa notícia para 2020 é que a propaganda eleitoral só começa em agosto.

Frase

'Não bastasse a conduta ignóbil de enganar as pessoas mais carentes', Guilherme Derrite (PP-SP), que apresentou projeto de lei para transformar a tunga do auxílio emergencial em estelionato qualificado.

Antimodernização

O governo estuda autorizar a cessão de trabalhadores entre empresas privadas, como acontece entre órgãos públicos. Antes de sair do papel, a ideia já sofre ataques de quem parece preferir que sejam demitidos.

Fez diferença?

Em um período de dois dias, o PSB convocou atos contra Bolsonaro, comemorou protestos de torcida organizada, condenou queimar a bandeira e depois se arrependeu: 'Não é hora de tomar as ruas'.

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